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O Segredo da Casa de Riverton

Monday, December 29, 2008 Post de Estante de Livros
Como sobre­vi­vem os que pre­sen­ciam a tragédia?


Verão de 1924
Na noite de um gla­mo­roso evento social, um jovem poeta perde a vida junto ao lago de uma grande casa de campo inglesa. Depois desse trá­gico acon­te­ci­mento, as suas únicas tes­te­mu­nhas, as irmãs Han­nah e Emme­line Hart­ford, jamais se vol­ta­riam a falar.

Inverno de 1999
Grace Bra­dley, de noventa e oito anos de idade, antiga empre­gada da casa de River­ton, recebe a visita de uma jovem rea­li­za­dora que pre­tende fazer um filme sobre a morte trá­gica do poeta. Memó­rias anti­gas e fan­tas­mas ador­me­ci­dos, há muito reme­ti­dos para o esque­ci­mento, come­çam a ser rea­vi­va­dos. Um segredo cho­cante ame­aça ser reve­lado, algo que o tempo parece ter apa­gado mas que Grace tem bem pre­sente. Pas­sado numa Ingla­terra des­tro­çada pela pri­meira guerra e ren­dida aos lou­cos anos 20, O Segredo da Casa de River­ton é um romance mis­te­ri­oso e uma emo­ci­o­nante his­tó­ria de amor.

Por vezes, há livros que nos cha­mam a aten­ção nem per­ce­be­mos bem porquê. Este foi um des­ses casos: não posso dizer que ado­rei a sinopse/​capa e tam­bém não posso dizer que tenha lido crí­ti­cas excep­ci­o­nais nos sites que con­sul­tei (isto ape­sar de serem posi­ti­vas). Ainda assim, o livro “chamou-​me” desde que o vi pela pri­meira vez e sabia que mais tarde ou mais cedo ia aca­bar por lê-​lo.

No limiar da mudança para o século XXI, deparamo-​nos com a idosa Grace Bra­dley que, já no final da sua vida, recorda os tem­pos pas­sa­dos como empre­gada na grande casa de River­ton, no pri­meiro quarto do século XX. O livro alterna fre­quen­te­mente entre a Grace jovem e a Grace idosa, à medida que esta decide rela­tar a ver­dade acerca do que levou à trá­gica morte de Rob­bie Hun­ter, atra­vés de cas­se­tes gra­va­das para o seu neto.

Gos­tei muito da forma como a his­tó­ria é con­tada, retirando-​se camada a camada da his­tó­ria em direc­ção à reve­la­ção final. Por vezes achei o ritmo dema­si­ado lento, mas nunca o sufi­ci­ente para me fazer desin­te­res­sar da his­tó­ria, prin­ci­pal­mente devido à escrita mara­vi­lhosa e envol­vente com que a escri­tora Kate Mor­ton nos pre­sen­teia. Gos­tei imenso do estilo dela.

As per­so­na­gens são muito cati­van­tes e genuí­nas, tal como todo o con­texto de época: sentimo-​nos trans­por­ta­dos para outra época, cheia de cos­tu­mes e ideias quase opos­tas aos dos dias que cor­rem. A 1.ª Guerra Mun­dial tam­bém marca a sua pre­sença, mais nos efei­tos cola­te­rais que teve em Ingla­terra e nos seus sol­da­dos do que nas des­cri­ções do con­flito pro­pri­a­mente dito. Em suma, pareceu-​me uma exce­lente recons­ti­tui­ção histórica.

Só posso acon­se­lhar esta lei­tura. Mas não leiam o livro de uma assen­tada: tanto a his­tó­ria como a escrita são para serem sabo­re­a­das, como um cho­co­late que se deixa der­re­ter len­ta­mente na boca. Fico à espera que a Porto Edi­tora publi­que “The For­got­ten Gar­den”, da mesma autora, que tem tido exce­len­tes crí­ti­cas. — Célia M.

8,5/10

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8 Responses to “O Segredo da Casa de Riverton”

  1. tonsdeazul says:

    :) Tam­bém reco­mendo viva­mente a sua lei­tura!
    Gos­tei do con­se­lho e con­cordo que “a his­tó­ria como a escrita são para serem sabo­re­a­das, como um cho­co­late que se deixa der­re­ter len­ta­mente na boca.”

    E obri­gada pela infor­ma­ção, pois des­co­nhe­cia que a autora já tinha um novo lit­vro. :)

  2. Marcelina says:

    Fiquei curi­osa, e não repa­ra­ria no livro. Tal­vez lhe dê uma hipó­tese. ;)

    Abra­ços.

  3. anaaaatchim! says:

    Despertaste-​me a curi­o­si­dade… parece mui­tís­simo interessante!

  4. t i a g o . says:

    Pas­sem pelo meu Refle­xões Exte­ri­o­res. Rece­be­ram alguma coisa por lá… :)

    Tiago

  5. Livros e Outras Coisas says:

    Con­forme já fui dizendo por aqui (e com medo de me repe­tir), The For­got­ten Gar­den aca­bou por me agar­rar, de igual forma, na sua nar­ra­tiva a três vozes, por três cami­nhos tem­po­rais des­fa­sa­dos que con­fluem para o desen­lace dos des­ti­nos das per­so­na­gens cen­trais. Gos­tei bas­tante. :)

    Boas lei­tu­ras! :)

    Não conheço a obra de Geoff Ryman — fico a aguar­dar o pare­cer sobre Ar. :)
    (Tra­vei conhe­ci­mento recente com os con­tos de Ursula K. Le Guin.)

  6. Draco says:

    Este tam­bém já cha­mou por mim… Obri­gado pela opi­nião. Ainda me des­per­tou mais a atenção…

    Quanto ao resto…

    Os cães ladram e a cara­vana passa’

    Um bom ano cheio de boas leituras!

  7. Cristina says:

    Estou bas­tante inte­res­sada em ler este livro por­que sem­pre me pare­ceu bom. Acho que a his­tó­ria roman­ce­ada com aquela intriga poli­cial foi o ponto forte para me fas­ci­nar. A tua crí­tica e, con­se­quente, pon­tu­a­ção só pro­vam que é de ler. E ainda bem que sabe­mos ir para além dos livros que nos atraem :)

  8. flicka says:

    Ado­rei ler a tua opi­nião, já me con­ven­ceste que tenho mesmo que com­prar este livro (com um dos vales da Fnac que recebi como pre­sente de natal). =)


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