Home / 8/10 / [Opinião] A Ilha das Trevas, de José Rodrigues dos Santos

[Opinião] A Ilha das Trevas, de José Rodrigues dos Santos

Autor: José Rodrigues dos Santos
Editora: Gradiva
Páginas: 354
ISBN: 9789896161729
Origem: Comprado

Sinopse: Paulino da Conceição é um timorense com um terrível segredo. Assistiu, juntamente com a família, à saída dos portugueses de Timor-Leste e a todos os acontecimentos que se seguiram, tornando-se um mero peão nas circunstâncias que mediaram a invasão indonésia de 1975 e o referendo de 1999 que deu a independência ao país. Só há uma pessoa a quem Paulino pode confessar o seu segredo – mas terá coragem para o fazer? A vida e tragédia de uma família timorense serve de ponto de partida para aquele que é o romance de estreia de José Rodrigues dos Santos, precursor de grandes êxitos como A Filha do Capitão, O Codex 632 e A Fórmula de Deus. Um romance pungente onde a ficção se mistura com o real para expor, num ritmo dramático, poderoso e intenso, a trágica verdade que só a criação literária, quando aliada à narrativa histórica, consegue revelar.

Opinião: Depois do Codex 632, voltei a ler José Rodrigues dos Santos, mas, desta vez, naquele que considero o seu melhor genéro – o romance histórico. O espaço da acção de A Ilha das Trevas, Timor, não podia estar mais perto e mais longe de mim, enquanto portuguesa. Os acontecimentos vividos nesta ilha marcaram o meu crescimento, mas eram só imagens. Dramáticas, marcantes, mas só imagens. Jose Rodrigues dos Santos teve o condão de me fazer aprender e perceber tudo aquilo que aconteceu ao longo de 33 anos de luta pela independência. Curiosamente, enquanto lia a obra, comemorou-se, a 12 de Novembro, o 17.º aniversário do massacre no cemitério de Santa Cruz, em Dili.

O melhor desta obra é, sem dúvida, a investigação que a sustenta. Simplesmente fascinante. José Rodrigues dos Santos, como bom jornalista que se preze, não deixou nada ao acaso e apresenta-nos várias versões do mesmo facto. Quando se falava de Timor, percebia o que estava em causa, mas de forma muito superficial. N’ A Ilha das Trevas cada situação foi bastante bem explorada, permitindo-nos finalmente compreender todas as posições e vontades dos envolvidos. Até me consegui surpreender com a vontade e força dos nossos políticos diante dos líderes das grandes potências.

A personagem principal da obra, Paulino, é extraordinária e, ao longo da leitura, a descrição dos seus medos e das suas vivências cativam-nos. A emoção toma conta de nós e, pessoalmente, parece que agora consigo mesmo perceber/sentir o que os timorenses sentiam. Arrepiei-me na descrição dos massacres, senti medo nos momentos de tensão, desejei ajudar, critiquei por não se ter agido mais cedo. Paulino da Conceição é o espelho dos desejos e tormentos de uma nação.

Gostei bastante do estilo da obra. Apesar da importância dramática que encerra, A Ilha das Trevas proporciona uma leitura fluída e agradável que nos faz ir virando as páginas. Nos momentos finais, é impossível não sentir um misto de tristeza por quem pereceu e de alegria pela independência ter vencido. – Cristina

Classificação: 8/10 – Muito Bom


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.