Home / 8/10 / Opinião: Siddhartha | Hermann Hesse

Opinião: Siddhartha | Hermann Hesse

Sinopse: Filho de um brâmane, desde cedo Siddhartha se destacou pela sua inteligência, a ponto de familiares e amigos lhe augurarem um futuro brilhante. Ele, no entanto, temendo pela salvação, parte, acompanhado pelo amigo Govinda, entretanto “refugiado junto do sábio Buda”, ao encontro da paz espiritual.
 
Opinião: A leitura deste livro foi mais ou menos “acidental”. Encontrava-me a meio d’O Terceiro Passo (que entretanto, também já terminei) quando o deixei no sítio errado e vi-me perante a perspectiva de dois dias sem leitura. Procurei nas minhas prateleiras por um livro curtinho que pudesse preencher esse tempo e optei por Siddhartha.

Este livro foi publicado pela primeira vez em 1922, em alemão, depois de Herman Hesse ter passado algum tempo na Índia na década anterior.
A palavra Siddhartha é formada a partir de duas palavras do Sânscrito (uma das línguas clássicas da Índia): siddha (adquirir) + artha (significado ou riqueza). As duas palavras juntas significam “aquele que encontrou o significado (da existência)” ou “aquele que atingiu os seus objectivos”.

O livro decorre no século VI d.C., na época contemporânea a Buda (que é também uma personagem do livro), e conta-nos a história de um jovem filho de um Brâmane que decide sair de casa e juntar-se aos samanas (sábios nómadas e mendigos). A partir daí, acompanhamos Siddhartha na sua jornada de busca interior e da procura do verdadeiro EU.

Apesar de ser curto, este livro transmite várias mensagens relevantes: como a religião mais importante se encontra dentro de nós e não numa qualquer doutrina; como é fundamental que percebamos aquilo que realmente importa; como a sabedoria vem da experiência e não do conhecimento teórico.

O livro gira sempre em torno da sua personagem principal, dos seus pensamentos, sentimentos e lutas interiores, por isso as descrições espaciais e temporais são breves e sucintas: nunca conhecemos em detalhe os locais por onde ela passa e o próprio tempo escoa rapidamente, quase sem que o leitor se aperceba.

Decididamente, é um livro com um grande teor filosófico com destaque para conceitos como o conhecimento, a sabedoria e a aprendizagem. Quando o terminei, dei por mim a pensar que gostaria que tivesse sido um pouco maior e mais desenvolvido, mas ainda assim é uma excelente leitura, com muitos conceitos ainda actuais. Recomendo. – Célia M.

8/10


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.