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[Opinião] Pássaros Feridos, de Colleen McCullough

Autor: Colleen McCullough
Título Original: The Thorn Birds (1977)
Editora: Biblioteca Sábado
Páginas: 440
ISBN: n.d.
Tradutor: Octávio Mendes Cajado
Origem: Comprado

Sinopse: Pássaros Feridos é a saga vigorosa e romântica de uma família singular, os Clearys. Começa no princípio do século XX, quando Paddy Cleary leva a mulher, Fiona e os sete filhos do casal para Drogheda, vasta fazenda de criação de carneiros, propriedade da irmã mais velha, viúva autoritária e sem filhos; e termina mais de meio século depois, quando a única sobrevivente da terceira geração, a brilhante actriz Justine O’ Neill, muitos meridianos longe das suas raízes, começa a viver o seu grande amor. Personagens maravilhosas povoam este livro: o forte e delicado Paddy, que esconde uma recordação muito íntima; a zelosa Fiona, que se recusa a dar amor porque este, um dia, a traiu; o violento e atormentado Frank e os outros filhos do casal Cleary, que trabalham de sol a sol e dedicam a Drogheda a energia e devoção que a maioria dos homens destina às mulheres; Meggie, Ralph e os filhos de Meggie, Justine e Dane. E a própria terra: nua, inflexível nas suas florações, presa de ciclos gigantescos de secas e cheias, rica quando a natureza é generosa, imprevisível como nenhum outro sítio na terra.

Opinião: 

Existe uma lenda acerca de um pássaro que só canta uma vez na vida, com mais suavidade que qualquer outra criatura sobre a Terra. A partir do momento em que deixa o ninho, começa a procurar um espinheiro, e só descansa quando o encontra. Depois, cantando entre os galhos selvagens, empala-se no acúleo mais agudo e comprido. E, morrendo, sublima a própria agonia e solta um canto mais belo que o da cotovia e o do rouxinol. Um canto superlativo, cujo preço é a existência. Mas o mundo inteiro pára para ouvi-lo, e Deus sorri no céu. Pois o melhor só se adquire à custa de um grande sofrimento… Pelo menos é o que diz a lenda.

[…]
O pássaro com o espinho cravado no peito segue uma lei imutável; impelido por ela, não sabe o que é empalar-se, e morre cantando. No instante em que o espinho penetra, não há nele consciência do morrer futuro; limita-se a cantar e canta até que não lhe sobra vida para emitir uma única nota. Mas nós, quando enfiamos os espinhos no peito, nós sabemos, compreendemos. E assim mesmo fazemo-lo.

Os dois excertos que transcrevi acima, retirados do livro Pássaros Feridos, da escritora australiana Colleen McCullough, marcam o seu início e o seu fim, respectivamente. Pelo meio, pude desfrutar de um dos melhores livros que já li.

Esta autêntico épico conta a história da família Cleary entre 1915 e 1969, permitindo-nos acompanhar personagens de três gerações diferentes. Apesar de o início decorrer na Nova Zelândia, os acontecimentos principais terão lugar na Austrália, na imensa propriedade de Drogheda. As personagens centrais são Meggie Cleary e o padre Ralph de Bricassart e o seu amor é a pedra basilar do livro; contudo, este é também povoado de inúmeras personagens, que emprestam à história uma riqueza que não se pode desprezar. A própria Austrália é, em si mesma, uma personagem essencial, com a sua abundância de fauna e flora e com a sua implacabilidade meteorológica, que governa a vida dos seus habitantes. Acima de tudo, o leitor sente sempre que as personagens e os seus dilemas são reais. Quanto ao enredo, apesar de uma das principais mensagens ser a inevitabilidade, raramente é previsível.

Muito satisfatório é também o entrelaçar da história-base com os acontecimentos da época (ou das várias épocas que o livro abarca): a Grande Depressão de 1929, a Segunda Guerra Mundial e vários acontecimentos que pontuaram a história australiana e mundial.

A escrita da Colleen McCullough é extraordinária… Seja em descrições ou em diálogos, ela consegue cativar o leitor com a riqueza das imagens e sentimentos que transmite. Apesar de não ser o primeiro livro que li dela (já tinha lido “O Toque de Midas”), desta vez fiquei completamente rendida e é uma autora para continuar a ler – inclusive já tinho o 1.º volume da sua famosa saga “O Primeiro Homem de Roma”.

A título de curiosidade, este livro foi adaptado para a televisão com uma mini-série que data de 1983, com Richard Chamberlain e Rachel Ward nos papéis principais.

Classificação: 10/10 – Obra-Prima


Sobre Célia

Tenho 35 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.