Mil Sóis Resplandecentes
Saturday, April 26, 2008 Post de Estante de Livros
Mariam, estendida no sofá, as mãos enfiadas nos joelhos, contemplava o turbilhão de neve que rodopiava do outro lado da janela. Recordou-se de Nana ter dito um dia que cada floco de neve era um suspiro soltado por uma mulher magoada algures no mundo. Que todos os suspiros subiam para o céu, se reuniam em nuvens e depois se desfaziam em minúsculos pedaços, caindo silenciosamente sobre as pessoas cá em baixo. “Em lembrança do que sofrem as mulheres como nós”, dissera ela. “De como suportamos silenciosamente tudo o que nos cai em cima“.Mil Sóis Resplandecentes, de Khaled Hosseini, acompanha a história de duas mulheres afegãs, de duas gerações distintas, cuja vida se cruza no meio das convulsões que afectaram o país no último quarto do século XX e início do século XXI. O livro, escrito numa linguagem acessível mas tocante, faz com que o leitor tome contacto com uma realidade completamente diferente da nossa e, muitas vezes, quase inacreditável perante tantos valores que hoje e já desde há algum tempo tomamos como certos. Encontramo-nos cara a cara com a intolerância, com a guerra e com a força da tradição. Mas é também nesse cenário que percebemos o poder da amizade e do amor.
Muitas coisas me tocaram ou chocaram ao longo da leitura deste livro, mas nada como a transcrição de um panfleto com as regras impostas pelos talibans às mulheres, quando chegaram ao poder. Proibições de sair de casa desacompanhadas, de mostrar o rosto, de cruzar o olhar com um homem ou de rir, trabalhar e ir à escola. Custa a acreditar que isto tenha existido.
Adorei o livro. Nota-se claramente que o escritor quis, para além de permitir ao leitor conhecer um pouco mais da história do seu país, homenagear o sofrimento das mulheres suas conterrâneas. Recomendo vivamente. – Célia M.
Muitas coisas me tocaram ou chocaram ao longo da leitura deste livro, mas nada como a transcrição de um panfleto com as regras impostas pelos talibans às mulheres, quando chegaram ao poder. Proibições de sair de casa desacompanhadas, de mostrar o rosto, de cruzar o olhar com um homem ou de rir, trabalhar e ir à escola. Custa a acreditar que isto tenha existido.
Adorei o livro. Nota-se claramente que o escritor quis, para além de permitir ao leitor conhecer um pouco mais da história do seu país, homenagear o sofrimento das mulheres suas conterrâneas. Recomendo vivamente. – Célia M.
Posts relacionados:




Este tipo de livros (que de há uns anos para cá aumentaram em grande n.º) são bons exactamente para nos mostrarem outras realidades e como dizes, repensar em “tantos valores que hoje e já desde há algum tempo tomamos como certos.”
Este livro em específico não cheguei a ler, mas li outro “As Raparigas de Riade”, que embora as 4 amigas tenham uma faceta mais europeia (e logo mais abertura), não deixam de sentir na pele a discriminação de certos valores já interiorizados no seu país. Quase poderemos falar de 2 atitudes, uma no seu país e/ou com conterrâneos e outra, quando estão num sítio onde ninguém se importa com a sua raça. Foi uma leitura interessante!
Bom fim-de-semana!
Soube do livro através de uma propaganda e logo pelas critícas pensei: “Deve ser bom”. Tu vieste reforçar a minha opinião, um livro a manter debaixo de olho!
Nos últimos meses deparei-me várias vezes com o “A Thousand Slpendid Suns” no top do NYT e por acaso sempre me senti atraído por ele. Confesso que o título português, apesar de bem traduzido, não me soou tão bem, e acabei por ficar um pouco de pé atrás com o livro.
Com este comentário, rendi-me completamente
(Hey!, sou o eragon369
)
Francisco(ou eragon369), primeiro que tudo obrigado pela visita e já agora obrigado por teres adicionado a Estante aos links dos teu blog.
Este livro tem a capacidade de não nos deixar indiferentes e acho que esse é o maior elogio que lhe posso fazer. Recomendo a sua leitura sem quaisquer reservas
Parece ser um livro giro e muito interessante, é pena não fazer o meu estilo, vou-o recomendar a uma pessoa que sei que gosta deste tipo de livros!
Sempre adorei este tipo de livros. Li a colecção de 3 livros da Princesa Sultana e fiquei bastante elucidada sobre a vida das mulheres na arábia saudita!
O meu chefe esteve lá, e diz que teve medo de andar na rua. Até os estrangeiros estão sujeitos a serem chamados de pecadores se olharem directamente para as mulheres, mesmo que elas tenham burka!
Descobri este blog e gostei muito. Alguns livros são do meu interesse. Estive quase para comprar esse livro, não tinha tanta certeza se era bom ou se valia a pena… Agora, graças a este post, fiquei convicta. Será mais um livro a comprar na feira do livro quando abrir!
Voltarei (adicionei o vosso blog),
Flicka
Flicka, bem-vinda! Obrigado pela visita e volta sempre
Já agora, aproveito para deixar o convite para participares no nosso Fórum: Estante de Livros
Alguem leu os dois livros deste autor ? Qual e’ que preferiram ?
Eu ainda só li mesmo o “Mil Sóis Resplandecentes”, do qual gostei muito
Não tenho muita paciência para histórias do género “a pobre rapariga ocidental que casa com um árabe e este mais tarde rouba-lhe os filhos” e acho que é injusto meter-se este livro nesse “saco”. Aconselho deste autor “O menino de Cabul”, também é mt bom.