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Expiação

Conseguia escrever três vezes a cena, de três pontos de vista diferentes; a sua excitação vinha da perspectiva de liberdade, de ser poupada à penosa luta entre o bem e o mal, entre heróis e vilões. Nenhuma das três versões era má, nem particularmente boa. Não teria de julgar. Não teria de haver um ensinamento moral. Apenas teria de mostrar mentes individuais, tão vivas como a sua própria mente, a debaterem-se com a ideia de que havia outras mentes igualmente vivas. Não eram apenas a maldade e as intrigas que faziam as pessoas infelizes; era a confusão e os mal-entendidos. Era, acima de tudo, a incapacidade de entender a simples verdade de que as outras pessoas era tão reais como nós próprios. E só numa história era possível penetrar em tantas mentes diferentes e mostrar como todas elas tinham o mesmo valor. Era esse o único ensinamento moral que tinha de haver numa história.

Expiação (ou Atonement, no original) conta a história de uma jovem de 13 anos, Briony Tallis, que sonha ser escritora. Contudo, os acontecimentos de um dia, que envolvem a sua irmã Cecilia e o amigo de infância de ambas, Robbie Turner, vai mudar para sempre a sua percepção sobre a vida e a sua própria vida, bem como a dos que a rodeiam.
É um livro que fala sobre o amor, sobre os horrores da II Guerra Mundial, mas que acima de tudo, fala sobre arrependimento e sobre crescimento.
A história, por si própria, é magnífica. Mas o que lhe dá a alma é a escrita de Ian McEwan. A forma como ele conta a história, como entra na mente das personagens, como nos faz pensar na importância de como se conta uma história e no poder que o escritor tem sobre a mesma. O ténue limite que existe entre uma história que o escritor conta ou uma história que se conta a si própria.
Provavelmente, as palavras que escrevo não fazem justiça ao quão bom este livro é. Só o posso recomendar… foi o melhor livro que li nos últimos tempos. – Célia M.

PS: Já agora, aproveitem para ir ver o filme também, que estreou na passada quinta-feira. O melhor elogio que lhe posso fazer é que faz jus ao livro e é provavelmente a adaptação mais fiel de um livro que tive oportunidade de ver no cinema.

 


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.