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Dezanove Minutos

Saturday, January 26, 2008 Post de Estante de Livros
Acho que a vida de uma pessoa deve ser como um DVD. Podemos ver a versão que toda a gente vê, ou podemos escolher ver a versão editada pelo realizador – a forma como ele desejava que a víssemos, antes de tudo o resto se ter metido no caminho. Provavelmente há menus, para podermos começar nas partes melhores sem ter de reviver as piores. Podemos quantificar a nossa vida através do número de cenas a que sobrevivemos, ou através dos minutos em que ficamos lá presos. No entanto, a nossa vida provavelmente assemelha-se mais a um daqueles aborrecidos vídeos de vigilância. Pouco nítido, por muito que o observemos com atenção. E circular: a mesma coisa, vezes sem conta.

“Dezanove Minutos” conta a história de um adolescente de 17 anos, que após ter sido vítima de intimidação (ou bullying) desde que entrou para a escola primária, por ser diferente dos outros rapazes, se revolta e leva a cabo um tiroteio num liceu, matando 10 pessoas.
A história, já de si, é bastante interessante. Tenho ouvido falar destes fenómenos, particularmente ocorridos nos Estados Unidos, e lembro-me de pensar que as pessoas que cometem estes actos só podem ser loucas e nessas alturas temos tendência a condenar veementemente quem faz coisas do género. O que este livro faz, e bem, é mostrar-nos o outro lado: explica-nos o que pode levar uma pessoa a cometer um crime deste calibre. Explica-nos aquilo que sabemos, mesmo que seja inconscientemente… como pode ser difícil ser adolescente e ser diferente dos outros e como nos podemos sentir deslocados e colocados de parte. Como é difícil assumir a diferença e dizer que não. No fundo, como é difícil crescer.
Claro que uns passam melhor do que outros pelas vias retorcidas e cheias de armadilhas da adolescência, dependendo de factores como a nossa própria personalidade ou a educação/presença que os nossos pais e família nos proporcionam. O livro faz-nos pensar na questão de termos ou não moral para julgar os outros; faz-nos pensar até que ponto podemos apontar o dedo a alguém e dizer que uma pessoa que comete determinado acto condenável deve ser castigada desta ou daquela maneira. Porque, no fundo, essas pessoas também têm família… e se fôssemos nós essa família?
Gostei bastante, principalmente pela forma como nos faz pensar e perceber o outro lado da barricada, pela habilidade da autora em caracterizar as suas personagens e mostrar-nos as suas emoções e, por fim, pela ânsia em saber como termina a história. Recomendo. – Célia M.








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4 Responses to “Dezanove Minutos”

  1. Dreamfinder says:

    Depois desta tua opinião, não vou resistir a comprar este livro. Adorei o primeiro que li da autora e os temas polémicos… Parece-me mais uma óptima obra. ***

  2. Cristina says:

    Li o Tudo por Amor da mesma autora e adorei a história. Foi um exercício engraçado e cansativo pôr-me no lugar da protagonista e ver como agiria se me acontecesse a mim. Gostei bastante da escrita viva e emotiva e, tal como tu, recomendo.

    Quando o problema não nos afecta directa ou indirectamente, temos sempre tendência para julgar. Está nos genes de cada um de nós, infelizmente. Um problema nunca tem só um lado e devíamos ter capacidade de analisar tudo. Uma morte é sempre um momento dramático, mas é apenas o culminar de qualquer coisa.

    Tenho este livro e espero vir a lê-lo brevemente. Acho que tem o grande brilhantismo de nos porem a pensar e isso, só por si, já é uma óptima razão para os lermos/comprarmos.

  3. Menphis says:

    estava a programar lê-lo no Verão, mas penso que não irei resistir e lê-lo já.

  4. Miss Alcor says:

    Nunca li nada da Jodi Picoult, mas fiquei convencida! :D


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