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Estantes (82)

Terça-feira, Maio 26, 2015 Post por Célia

As estantes de hoje foram partilhadas pelo Nuno Ferreira, que publicou recentemente o seu primeiro livro (Espada que Sangra). Obrigada pela partilha!

 

Estante 1

Mesa-de-cabeceira

Estante 2

Secretária e prateleiras no quarto

Estante 3

Estante grande no sótão

Estante 4

Estante no sótão com livros da minha infância, juventude e bandas desenhadas


Categorias: Estantes

[Opinião] O Baloiço Vazio, de Carla Lima

Segunda-feira, Maio 25, 2015 Post por Célia

22008052Autor: Carla Lima
Ano de Publicação:
2014
Editora: Pastelaria Studios
Páginas: 85
ISBN: 9789898629449

 

Sinopse: “Eu deitada na cama, de barriga para cima, com os olhos fechados e os braços cruzados sobre o peito,
– O que estás a fazer?
– Estou a fingir que estou morta
– Porquê?
– Porque me apetece. Importas-te?
– Mas porquê?
– Porque antes estar morta do que viver assim
– Assim como?
– Numa prisão
– Numa prisão?
– Estou presa a ti
– Estamos presos um ao outro
– Nem a fingir de morta me deixas em paz”

 

Opinião: Este livro chegou-me às mãos após uma simpática oferta da autora em troca de uma opinião honesta; antes disso, o livro era-me totalmente desconhecido. Li algumas opiniões e fiquei convencida que valeria a pena dar-lhe uma hipótese.

 

Não se pode dizer que este livro conte uma história com princípio, meio e fim. Aliás, parece-me que é precisamente o contrário: através de uma narrativa fragmentada, a autora apresenta-nos a história de Ana e Bruno, sendo ela a principal narradora. Assim, vamos lendo pequenos diálogos ou pensamentos, que são como peças de um puzzle colocadas perante o leitor pela ordem errada. A ordem dos pequenos textos não é cronológica, contém vários regressos ao passado e mesmo no presente apresenta-nos momentos diferentes por vezes misturados no mesmo texto.

 

Vamos pegando nas pequenas peças do puzzle e compondo-as ao longo da leitura, ainda que nunca fique a certeza da ordem dos acontecimentos e mesmo se de facto aconteceram ou se são apenas fruto da mente perturbada que nos vai falando através das páginas. Ana é uma mulher carente, aparentemente marcada pelo passado, que vive uma relação obsessiva e pouco saudável com Bruno, mas será real a faceta dele que é mostrada por ela? A narradora é pouco fiável, e por isso acabamos por não perceber bem o que é ficção e o que é realidade.

 

Não me parece um livro que possa agradar a toda a gente, mas eu pessoalmente gostei. Sem ter sido uma leitura marcante, gostei que o estilo fragmentado do texto acompanhasse aquilo que de certo modo se passa com alguém que lida com depressão, com uma possível doença bipolar ou outros transtornos psiquiátricos – no fundo a busca de um sentido para a vida, com avanços e recuos e o constante martírio de coisas que aconteceram ou podem vir a acontecer. Ainda assim, por vezes achei os textos demasiado vagos e tive dificuldade em perceber qual a sua importância no contexto do que estava a ler. Também recomendaria, numa nova edição, uma revisão mais cuidada, porque encontrei alguns erros ortográficos no texto. No final de contas, foi uma leitura que valeu a pena e que me fez vontade de ler mais coisas da autora.

  

Classificação: 3/5 – Gostei

 


Livros ao Sábado (177)

Sábado, Maio 23, 2015 Post por Célia

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Visto aqui.


Categorias: Livros ao Sábado

[Opinião] À Espera de Moby Dick, de Nuno Amado

Sexta-feira, Maio 22, 2015 Post por Célia

16091274Autor: Nuno Amado
Ano de Publicação:
2012
Editora: Oficina do Livro
Páginas: 243
ISBN: 9789895560127

 

Sinopse: Um desgosto avassalador leva um lisboeta a refugiar-se numa enseada perdida dos Açores para cumprir um velho sonho: avistar baleias. Enquanto espera pela chegada dos gigantes marinhos, ocupa os dias naquele lugar dominado pelo ruído do oceano a tentar reencontrar-se e a escrever cartas para o seu melhor amigo, contando-lhe o fio dos seus dias no exílio, mas também para destinatários tão improváveis como o Instituto Nacional de Estatística, o boxeur português com mais derrotas acumuladas ou um guru de auto-ajuda de sucesso planetário. À medida que o tempo passa, consegue vencer a solidão absoluta que impôs a si próprio e estabelece contacto com os seus poucos vizinhos, como um alemão bem-humorado, que todos os dias sai sozinho para o mar, e um casal de reformados oriundo do continente, que recebe cartas do filho dos mais variados lugares do mundo. Depressa descobre que, naquela enseada, todos têm qualquer coisa a esconder e nada é exactamente o que parece.

 

Opinião: Finalmente, uma opinião sobre um livro que tinha pensado ler para o mês temático de autores portugueses (que, como já devem ter percebido, está a correr miseravelmente). À Espera de Moby Dick suscitou-me interesse pelas boas opiniões que tenho vindo a ler, e o facto de ser de um autor português que ainda não tinha lido aguçou-me ainda mais a curiosidade. É ainda importante referir que este foi um livro lido no âmbito de uma leitura conjunta.

 

Romance escrito na forma epistolar, contém uma série de cartas escritas por um homem que se refugiou num local recôndito nos Açores, depois de uma grande perda – de que, curiosamente, o exilado (sem nome) raramente fala, mas que ainda assim permeia todas as cartas que este homem envia a um seu amigo do continente.

 

E assim o livro vai avançado, com o narrador a relatar ao amigo a vida pacata que leva, as pessoas com quem se cruza, a sua luta para encontrar a redenção – que ele pensa estar, de certo modo, relacionada com o avistamento de baleias. Mas nem só das cartas da personagem principal vive o livro, porque temos também acesso a algumas cartas escritas pelo filho viajante de um casal que também se refugiou nos Açores e mora perto do nosso narrador principal.

 

Parece-me ser um livro que será tanto mais apreciado quanto o leitor se identifique com sentimentos de perda, de solidão e da busca incessante pela vontade de viver. Porque me identifiquei com várias coisas que esta personagem vai descrevendo, foi um relato que teve significado para mim, ainda que a imagem que passa não seja a de uma pessoa de quem seja muito fácil gostar.

 

O facto de o livro tratar basicamente de correspondência unilateral pareceu-me uma forma de o autor demonstrar que estava mais interessado em mostrar ao leitor quem era esta pessoa e deixar-nos entrar na consciência dele do que propriamente contar uma história com princípio, meio e fim. Ainda assim, penso que este livro tinha mais para dar; gostava de ter continuado a acompanhar esta personagem, de ter sabido mais sobre ela.

 

Gostei bastante da escrita de Nuno Amado; foi daqueles textos que me deu vontade de guardar várias passagens por terem significado para mim. Fiquei com muita vontade de ler mais coisas deste escritor.

  

A única vingança que há perante a morte, como já alguém disse, é viver. E viver com os mortos e os vivos dentro de nós. Viver num mundo que, apesar de já não conter o que nele eu mais amava, ainda tem muito para ser amado.

  

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante

 


[Opinião] O Morcego, de Jo Nesbø

Segunda-feira, Maio 18, 2015 Post por Célia

24703150Autor: Jo Nesbø
Título Original:
Flaggermusmannen (1997)
Série: Harry Hole #1
Editora: Dom Quixote
Páginas: 388
ISBN: 9789722056342
Tradutor: Maria Georgina Segurado (do inglês)

 

Sinopse: O inspector Harry Hole, da Brigada Anticrime de Oslo, é enviado numa missão a Sydney, na Austrália, para investigar um homicídio. Deve colaborar com as autoridades locais, mas tem instruções para se manter longe de sarilhos. A vítima é uma norueguesa de vinte e três anos, em tempos uma celebridade televisiva na Noruega. Harry não consegue ser um simples espectador e, à medida que se envolve na investigação, trava amizade com um dos detetives responsáveis pelo caso. Juntos percebem que estão a lidar com o último de vários homicídios por resolver, e o padrão diz-lhes que estão na presença de um psicopata que atua ao longo do país. Quando estão prestes a descobrir a identidade do assassino, Harry começa a temer que ninguém esteja a salvo, principalmente as pessoas envolvidas na investigação… e os seus receios transformam-se no seu mais profundo pesadelo!

 

Opinião: Há muito tempo que tenho curiosidade por esta série de policiais nórdicos da autoria de Jo Nesbø, mas ainda não me tinha decidido a lê-la porque queria começar pelo primeiro volume, que foi apenas o 8.º da série a ser publicado por cá (de um total de 10, até agora).

 

A expectativa não era enorme, por ter lido em vários locais que este primeiro volume não seria o mais interessante, mas ainda assim gosto de começar as séries pelo início e, neste caso, conhecer a personagem principal que continuará a sê-lo ao longo dos restantes livros. 

 

N’O Morcego,  o inspetor norueguês Harry Hole é destacado para ajudar nas investigações de um homicídio de uma norueguesa que decorreu em Sydney, na Austrália. No início, Harry e os colegas australianos seguem as pistas mais óbvias e ao longo do tempo vão conhecendo vários avanços e recuos na investigação. Abre-se a possibilidade de ser um assassino em série, mas essa é uma teoria difícil de provar. 

 

À medida que a história se desenrola, Harry vai convivendo com várias personagens que conhece no país, como o polícia aborígene Andrew Kensigton, o excêntrico Otto Rechtnagel, ou a colega da mulher assassinada, Birgitta. À sua maneira, todos influenciam a vida de Harry e acabam por ajudá-lo a conhecer um pouco mais daquilo que é a vida australiana e as questões raciais que ainda subsistem.

 

Gostei de Harry Hole. O autor proporciona-nos vários regressos a partes do seu passado que ajudam a compôr a personagem, a torná-la mais real e a fazer com que nós, leitores, simpatizemos com as suas lutas. A sua procura pela redenção de acontecimentos passados é uma característica importante da sua personalidade. Mas também as personagens secundárias têm direito a isto, apesar de ser em menor extensão.

 

O caso policial foi interessante, e o jeito de Harry para reparar em detalhes cativante. Não foi uma história ou resolução que tivesse achado a melhor de sempre num policial, mas a leitura foi suficientemente interessante. Também é importante referir que o caso policial se encontra bem interligado com as questões raciais que acredito ainda continuarem a existir (apesar de o livro ter sido publicado originalmente em 1997). 

 

Portanto, o balanço final é positivo. Apesar de não ter sido uma leitura extraordinária, conseguiu convencer-me que vale a pena continuar a apostar nesta série.

 

Classificação: 3/5 – Gostei