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[Opinião] Stoner, de John Williams

Monday, January 26, 2015 Post por Célia

23125794Autor: John Williams
Título Original:
Stoner (1965)
Editora: Dom Quixote
Páginas: 263
ISBN: 9789722055567
Tradutor: Tânia Ganho

 

Sinopse: Romance publicado em 1965, caído no esquecimento. Tal como o seu autor, John Williams – também ele um obscuro professor americano, de uma obscura universidade. Passados quase 50 anos, o mesmo amor à literatura que movia a personagem principal levou a que uma escritora, Anna Gavalda, traduzisse o livro perdido. Outras edições se seguiram, em vários países da Europa. E em 2013, quando os leitores da livraria britânica Waterstones foram chamados a eleger o melhor livro do ano, escolheram uma relíquia. Julian Barnes, Ian McEwan, Bret Easton Ellis, entre muitos outros escritores, juntaram-se ao coro e resgataram a obra, repetindo por outras palavras a síntese do jornalista Bryan Appleyard: “É o melhor romance que ninguém leu”. Porque é que um romance tão emocionalmente exigente renasce das cinzas e se torna num espontâneo sucesso comercial nas mais diferentes latitudes? A resposta está no livro. Na era da híper comunicação, Stoner devolve-nos o sentido de intimidade, deixa-nos a sós com aquele homem tristonho, de vida apagada. Fechamos a porta, partilhamos com ele a devoção à literatura, revemo-nos nos seus fracassos; sabendo que todo o desapontamento e solidão são relativos – se tivermos um livro a que nos agarrar.

 

Opinião: Stoner foi publicado há 50 anos, mas vendeu apenas 2.000 cópias antes de ter saído de circulação. Já no século XXI, foi alvo de uma reedição da New York Review Book Classics, e um conjunto de fatores entre os quais se contaram esforços de livrarias e boca-a-boca entre leitores levou a que, em 2013, este livro fosse considerado pelos leitores da cadeia inglesa de livrarias Waterstones o melhor do ano. E foi assim que este livro também foi publicado em Portugal em 2014 e chegou às minhas mãos: de quem foi a “culpa” não sei, mas estou-lhe eternamente grata.

 

William Stoner é a personagem central do livro a que empresta o nome, um norte-americano de origens humildes, filho de trabalhadores do campo, que ruma à universidade para estudar a área em que trabalhou toda a vida, mas que depressa percebe que o seu fascínio pela literatura o vai levar por caminhos diferentes. Casamento, paternidade, desafios profissionais, a vida de Stoner parece conter tudo aquilo que o comum dos mortais normalmente faz, mas aquilo que no exterior aparenta ser uma vida sem muito que se lhe diga é muito mais, é uma viagem ao interior de um homem fascinante.

 

Acredito que a medida em que este livro interessa ao leitor que o folheia terá muito a ver com o grau de compreensão para com a personagem principal. Não necessariamente identificação, porque há muita coisa na vida de Stoner que não quereria para a minha, mas é retratado de uma forma tão verdadeira e visceral, que é praticamente impossível não simpatizarmos com ele. Parecerá a muitos uma pessoa inerte, sem perspetivas para o futuro ou algo no passado que seja realmente relevante, mas cativa pela fidelidade e firmeza relativamente aos seus princípios e pela importância que empresta àquilo que acredita ser a sua verdade. Vive no seu mundo, a universidade, um local que vê como não conspurcado, onde vai encontrando réstias de esperança e felicidade face às adversidades que se lhe apresentam lá fora. É um homem que tem dentro de si muito mais do que aquilo que consegue comunicar verbalmente e a palavra escrita acaba por ser um conforto. A vida de Stoner poderá ser avaliada por muitos como aborrecida, inconsequente e de pouca valia, mas quem assim o avaliar provavelmente não o conheceu devidamente e é ainda regido pelos princípios de extroversão que a nossa sociedade valoriza. Stoner vinga por parecer uma pessoa real, por na sua aparente simplicidade conter todas as matizes de complexidade que valorizam o ser humano. É uma personagem tão complexa, tão rica, que poderia ficar o resto do dia a falar nela sem, muito provavelmente, conseguir exprimir tudo aquilo que lhe entrevi ou que com ela aprendi.

 

Acho que já ficou explícito o quanto esta personagem e livro me marcaram. Não costumo ficar muito tempo a pensar num livro depois de o terminar, porque tenho a capacidade de me desligar rapidamente de uma história antes de partir para outra, mas houve uma série de imagens neste livro que estão comigo e não me largam. E o que dizer da escrita de John Williams? Evocativa, muitas vezes quase poética, mas ao mesmo tempo de uma clareza e frescura quem encantam o mais exigente leitor. 

 

É um livro riquíssimo a nível das várias reflexões que traz consigo: a infelicidade é uma inevitabilidade? Está dentro ou fora de nós? No final de contas, quando o nosso fim se aproximar, o que nos trará a certeza que valeu a pena? São só algumas das razões para não deixar este livro passar despercebido. Recomendadíssimo.

 

Classificação: 5/5 – Adorei


Livros ao Sábado (160)

Saturday, January 24, 2015 Post por Célia

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Visto aqui.


Categorias: Livros ao Sábado

8678396Autor: João Ferreira
Ano de Publicação:
2010
Editora: Esfera dos Livros
Páginas: 336
ISBN: 9789896262167

 

Sinopse: Milagres que nunca existiram, um filho que bate na mãe, um irmão que bate noutro irmão, execuções e assassinatos num país de brandos costumes, heróis que afinal não foram assim tão bonzinhos, reis loucos num país de loucuras, aliados piores que o pior dos inimigos, batalhas vitoriosas com uma mãozinha divina ou grandes desastres militares, traições e conspirações de vão de escada, um rei com gosto por freiras, outro impotente que não conseguia satisfazer a mulher, um governo que nem cinco minutos durou, um atentado onde tudo correu mal e o visado saiu ileso, um ditador temível que resistiu 40 anos no poder até cair de uma cadeira de lona… Podem parecer-lhe históricas anedóticas, falsas, absolutamente surreais. Muitas delas nunca nos foram contadas na escola. Mas fique a saber que são quadros bem reais e fazem parte dos nove séculos da História de Portugal. Sabia por exemplo que nunca houve uma escola náutica em Sagres, que frei Miguel Contreiras nunca existiu? Que D. Pedro, além de D. Inês, amou também o seu escudeiro? Que a morte dos Távora envolve sexo, mentiras e política? Sabia que Vasco da Gama, herói das Descobertas, era temido por ser um homem cruel? Que Palma Inácio foi o primeiro pirata do ar?

 

Opinião: Já por aqui falei da minha curiosidade relativamente à História de Portugal. Apesar de ultimamente não andar a ler muitos romances históricos ou livros de não ficção sobre o tema, sempre que leio costumo gostar. Talvez seja a vontade de perceber melhor modos de vida tão distintos que, de certo modo, ao permitir-nos perceber quem fomos nos ajudam a saber quem somos e para onde vamos.

 

No ano passado, li um livro muito ao estilo deste de que hoje vos falo, o Histórias Secretas de Reis Portugueses. A atestar pelo título, a diferença consistiria em histórias secretas em vez de rocambolescas e a abordagem a reis portugueses em vez da História de Portugal de um modo geral. Na verdade, ambos são muito semelhantes, pretendendo chamar a atenção para factos pouco conhecidos da nossa História ou mesmo desmistificar algumas lendas e outros factos tidos como verdadeiros.

 

Este Histórias Rocambolescas está organizado tematicamente, e dentro de cada tema de forma cronológica. Cada episódio relatado ocupa uma média de 2-3 páginas, o que só por si é indicativo da forma algo superficial como é abordado. Ou seja, o público-alvo deste livro será essencialmente aquele sem conhecimentos muito aprofundados sobre a História do nosso país, porque caso contrário parece-me que terminará a leitura sentindo-se defraudado.

 

Pessoalmente, aprendi algumas coisas e recordei outras. É um livro que se lê rapidamente, interessante q.b. e poderá servir de referência para consulta futura sobre algum dos episódios abordados. Contudo, não se espere encontrar revelações ou descobertas muito importantes sobre a nossa História, porque este é, essencialmente, um livro de curiosidades sobre a mesma.

 

Classificação: 3/5 – Gostei


Livros nos Óscares 2015

Thursday, January 22, 2015 Post por Célia

Se há coisa que não me posso considerar é cinéfila. Gosto de ver um bom filme, de vez em quando, mas não tenho o bichinho dentro de mim. Para terem uma ideia, em 2014 vi 26 filmes e este ano apenas um. Mas gosto imenso da cerimónia anual dos Óscares, que já há vários anos sigo com bastante interesse, tendo inclusive visto em direto algumas vezes. No ano passado consegui, pela primeira vez, ver todos os filmes nomeados para a categoria “Melhor Filme” antes da cerimónia e este ano queria ver se conseguia repetir a façanha, até porque “só” temos 8 nomeados este ano. Um já foi, e não gostei mesmo nada. Falo do The Grand Budapest Hotel, do Wes Anderson, que é já a segunda tentativa que faço com este realizador, depois de Moonrise Kingdom. Visualmente é muito bem conseguido, mas as histórias e as personagens aborrecem-me de morte, o que fazer? Não se pode agradar a todos. Mas já me estou a dispersar um pouco relativamente ao objetivo deste post, que é referir que filmes nomeados foram realizados a partir de histórias originalmente publicadas em livros.

 

Dentro da categoria Melhor Filme, temos American Sniper (Sniper Americano), realizado por Clint Eastwood e adaptado da autobiografia de Chris Kyle Sniper Americano: Autobiografia do Atirador Especial Mais Letal da História, já publicado em Portugal pela editora Vogais. The Imitation Game (O Jogo da Imitação) é outra adaptação a partir de um livro, desta vez a biografia Alan Turing: The Enigma, de Andrew Hodges, que não está publicado em Portugal. Por fim, The Theory of Everything (A Teoria de Tudo) é adaptado a partir do livro Viagem ao Infinito, de Jane Hawking, já publicado recentemente em Portugal pela Marcador. 

 

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Dentro das categorias de representação, e falando apenas dos livros ainda por referir, temos nomeada para Melhor Atriz Rosamund Pike, no seu inesquecível papel de Amy em Gone Girl (Em Parte Incerta), num livro de Gillian Flynn publicado em Portugal pela Bertrand. Também nomeada foi Julianne Moore, no papel principal em Still Alice (O Meu Nome é Alice), num livro de Lisa Genova inicialmente publicado pela editora Caderno, e que comentei aqui, e agora republicado pela Lua de Papel com o mesmo título do filme e capa alusiva ao mesmo. Reese Witherspoon foi também nomeada pelo seu papel em Wild (Livre), baseado no livro de Cheryl Strayed publicado no nosso país pela Editorial Presença.

 

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Em categorias mais secundárias, encontramos Inherent Vice (Vício Intrínseco), adaptado do livro homónimo de Thomas Phyncon e publicado pela Bertrand, nomeado para Melhor Argumento Adaptado. Para Melhor Filme de Animação foi nomeado The Boxtrolls (Os Monstros das Caixas), baseado no livro de Alan Snow, publicado em Portugal pela Editorial Presença. Na categoria Melhor Edição de Som, aparece The Hobbit: The Battle of the Five Armies (O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos), que é a terceira parte da “adaptação” do conhecido livro de Tolkien, publicado pela Europa-América (que as aspas não firam suscetibilidades, mas para mim estes filmes são apenas “baseados em” e não propriamente adaptações do livro – e, apesar de estes prémios valerem o que valem não deixa de ser sintomático este filme ter apenas esta nomeação). Para terminar, Unbroken (Invencível), adaptado do livro de Laura Hillenbrand, publicado pela Dom Quixote, foi também nomeado na mesma categoria.

 

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E vocês, já leram alguns destes livros ou viram alguns destes filmes?


Categorias: Blogue, Textos

[Opinião] Mais Bastidores de Hollywood, de Mário Augusto

Wednesday, January 21, 2015 Post por Célia

6422462Autor: Mário Augusto
Ano de Publicação:
2006
Editora: Prime Books
Páginas: 248
ISBN: 9789898028167

 

Sinopse: Há novos bastidores de Hollywood para desvendar. São histórias, experiências pessoais, segredos e episódios surpreendentes que só Mário Augusto, membro do grupo restrito e privilegiado que regularmente convive com as grandes estrelas, nos poderia revelar. Mas este livro é muito mais do que uma mera sequela dos primeiros “bastidores”. Trata-se de um livro inteiramente novo, com novos protagonistas e diferentes enquadramentos, onde não faltam histórias curiosas sobre a própria história do cinema. Há duas décadas que este conhecido jornalista de televisão frequenta os bastidores de Hollywood, acumulando centenas e centenas de entrevistas comos mais importantes actores, actrizes e realizadores. Este livro é fruto dessa experiência e transporta-nos numa viagem sedutora pelo universo fascinante da indústria cinematográfica.

 

Opinião: Nos idos de 2005, li e gostei do primeiro livro publicado pelo jornalista de cinema Mário Augusto, uma cara que nos habituámos a ver na tv entrevistando atores e outras pessoas conhecidas do cinema. Esse livro, Nos Bastidores de Hollywood, fazia um apanhado de algumas das entrevistas mais marcantes que o jornalista tinha feito, acompanhado das suas visões sobre os entrevistados e o relato de alguns episódios engraçados que envolveram essas ocasiões. Foi com naturalidade que adquiri o segundo livro que o jornalista publicou no ano seguinte, mas por um ou outro motivo que não consigo explicar fui adiando a sua leitura e só volvidos 8 anos é que finalmente me decidi a lê-lo.

 

No início de Mais Bastidores de Hollywood, Mário Augusto revela o seu desejo de “arranjar uma fórmula que permitisse ao leitor perceber que este novo livro não era simplesmente mais do mesmo” e o que fez nesse sentido foi intercalar os capítulos dedicados a entrevistas a atores e realizadores famosos com outros que falam sobre os primórdios do cinema e de várias curiosidades sobre a evolução da sétima arte, com particular destaque para o que se foi passando nos Estados Unidos da América. E, se foi refrescante esta tentativa de apresentar algo de novo, um diferente valor acrescentado, confesso que a interligação entre as duas abordagens me pareceu falhar, porque dei por mim a tentar perceber perceber se estava a ler um livro sobre história do cinema ou sobre algumas (interessantes) estrelas de Hollywood e as suas visões sobre a profissão que escolheram. Tentando as duas abordagens em simultâneo, sem pontes de ligação óbvias, pareceu-me sinceramente que Mário Augusto não teve o sucesso pretendido.

 

Mas, independentemente do que referi, gostei de ler sobre a história do cinema; aprendi bastante sobre os primórdios do aparecimento de uma arte que hoje nos parece garantida mas que teve de percorrer um longo caminho para ter chegado ao estado em que hoje a conhecemos, não só a nível técnico mas também no que se refere à forma como as histórias foram sendo contadas. Também a secção das entrevistas é interessante e gostei particularmente de ler os capítulos dedicados a Emma Thompson, Judi Dench, Matt Damon e Julie Andrews. 

 

Tenho também de referir a desatualização de alguns aspetos referidos nos capítulos das entrevistas, não só por situações a nível pessoal/profissional dos entrevistados que entretanto se alteraram, mas também porque à distância de 8 anos estão em falta coisas importantes que foram sucedendo. Neste aspeto, faço o mea culpa por não ter lido o livro na altura em que foi lançado e o comprei.

 

Resumindo, todo o conteúdo do livro é bastante interessante, mas falha a ligação entre as duas abordagens que o jornalista decidiu adotar na sua composição, para além de que alguns aspetos das entrevistas se encontram datados. Contudo, não deixa de ser uma leitura curiosa dentro da área do cinema e da qual não me arrependo.

 

 

Classificação: 3/5 – Gostei