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Nós

Thursday, July 29, 2010 Post por Estante de Livros

Autor: Evgueni Zami­a­tine
Título Ori­gi­nal: Мы (1920)
Edi­tora: Antí­gona
Pági­nas: 287
ISBN: 9726080320
Tra­du­tor: Manuel João Gomes

Sinopse
Neste romance, escrito em 1920, Zami­a­tine des­creve, mais do que um mundo futuro, as rela­ções huma­nas nesse mundo, que é efi­caz­mente pro­du­ti­vista, limpo, des­pro­vido de emo­ção.
As figu­ras huma­nas visí­veis são ape­nas as dos adul­tos; os velhos e as cri­an­ças não estão pre­sen­tes na nar­ra­tiva. Os homens e as mulhe­res são apa­ren­te­mente iguais, a come­çar pelo ves­tuá­rio, fun­ci­o­nal e sim­ples (os unifs); todos têm núme­ros, e não nomes.
O meio cir­cun­dante cor­res­ponde neces­sa­ri­a­mente a este tipo humano: visto a indi­vi­du­a­li­dade não exis­tir, os apar­ta­men­tos são trans­pa­ren­tes. Só nas rela­ções sexu­ais, supe­ri­or­mente orga­ni­za­das, obe­de­cendo sem­pre a um dia e a uma hora pré-​determinados, surge um vis­lum­bre de pri­va­ci­dade: fecham-​se as per­si­a­nas do quarto.
Trata-​se, enfim, de uma fic­ção sobre o triunfo da raci­o­na­li­dade num sis­tema social em que cada pes­soa se dis­sipa numa ideia de comunidade.

Opi­nião
Após ter lido algu­mas das prin­ci­pais dis­to­pias (Mil Nove­cen­tos e Oitenta e Qua­tro, Fah­re­nheit 451A Laranja Mecâ­nica), per­cebi que este é um género que me agrada bas­tante e foi com natu­ra­li­dade que che­guei a este Nós, que é con­si­de­rado o “pai” das dis­to­pias e que terá influ­en­ci­ado a obra mais conhe­cida de George Orwell.

As dis­to­pias são conhe­ci­das por repre­sen­ta­rem soci­e­da­des futu­ris­tas mar­ca­das pelo con­trolo e pela repres­são e que vivem sob o dis­farce de serem uma uto­pia. Em Nós, via­ja­mos para o ano 3000, onde as pes­soas têm nomes que pode­riam ser desig­na­ções de máqui­nas (o nar­ra­dor e per­so­na­gem prin­ci­pal chama-​se D-​503) e onde a raci­o­na­li­dade é levada a um extremo — existe uma Tábua dos Man­da­men­tos Horá­rios que deter­mina as horas e a dura­ção de todas as acti­vi­da­des, mesmo as pes­so­ais (a acti­vi­dade sexual, por exem­plo, tem dia e hora mar­cado). O local onde D-​503 vive está rode­ado por um muro verde, que o separa da Natu­reza e que é proi­bido ultra­pas­sar. O Estado Único é gerido pelo Ben­fei­tor (equi­pa­rado ao Big Brother de Mil Nove­cen­tos e Oitenta e Qua­tro), que é una­ni­me­mente ree­leito em todas as elei­ções anu­ais. A liber­dade é um con­ceito enca­rado como ultra­pas­sado e impe­di­tivo do bom fun­ci­o­na­mento da soci­e­dade, onde não existe o eu, mas ape­nas o nós. O livre arbí­trio seria a prin­ci­pal causa da infe­li­ci­dade e, por isso, foi erradicado.

D-​503 narra este livro sob a forma de diá­rio, e vai dando a conhe­cer a um lei­tor ima­gi­ná­rio, situ­ado no pas­sado, a per­fei­ção da soci­e­dade em que se inte­gra. No entanto, o apa­re­ci­mento da ori­gi­nal e única E-​330 abrirá novos hori­zon­tes a D-​503, que começa a ques­ti­o­nar a raci­o­na­li­dade e a repres­são da ima­gi­na­ção que vigo­ram no Estado Único e dá por si a alme­jar por algo mais.

É um livro que, tal como é comum nas dis­to­pias, levanta várias ques­tões inte­res­san­tes e nos apre­senta um retrato extremo de uma soci­e­dade onde os valo­res essen­ci­ais da demo­cra­cia, da liber­dade e do livre arbí­trio, que tanto pre­za­mos nos dias que cor­rem, são pra­ti­ca­mente ine­xis­ten­tes. O livro reflecte as expe­ri­ên­cias pes­so­ais do autor aquando das duas Revo­lu­ções Rus­sas do iní­cio do século XX e tam­bém na 1.ª Guerra Mun­dial e não pode dei­xar de ser enca­rado como uma crí­tica implí­cita ao regime comunista.

Objec­ti­va­mente, julgo ser um livro bas­tante inte­res­sante para quem gosta deste género, con­tendo uma série de téc­ni­cas lite­rá­rias que influ­en­ci­a­ram cla­ra­mente o Mil Nove­cen­tos e Oitenta e Qua­tro de Orwell e, diz quem leu, Admi­rá­vel Mundo Novo, de Aldous Hux­ley. Pes­so­al­mente, não me cati­vou tanto como as dis­to­pias que li ante­ri­or­mente em ter­mos de enredo, iden­ti­fi­ca­ção com as per­son­gens e sen­sa­ção de opres­são que a soci­e­dade trans­mite. Ainda assim, dei o meu tempo por bem empre­gue e, por isso, reco­mendo este livro. - Célia M.

7/​10 — Bom

Livro n.º 65 de 2010

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Casamento de Conveniência

Wednesday, July 28, 2010 Post por Estante de Livros

Autor: Made­line Hun­ter
Título Ori­gi­nal: By Arran­ge­ment (2000)
Edi­tora: ASA
Pági­nas: 352
ISBN: 9789892307169
Tra­du­tor: Ana Nereu

Sinopse
Lady Chris­ti­ana Fitzwaryn está apai­xo­nada.
Infe­liz­mente, o seu futuro marido não é o homem dos seus sonhos mas sim um per­feito des­co­nhe­cido, com quem o pró­prio rei Edu­ardo nego­ciou o enlace. Sobre este homem, Chris­ti­ana ape­nas sabe tratar-​se de um mero mer­ca­dor ple­beu. Não estava, pois, pre­pa­rada para o pri­meiro encon­tro: David de Abyn­don revela ter um carisma extra­or­di­ná­rio e nutre uma indi­fe­rença des­con­cer­tante em rela­ção ao esta­tuto social dela. Para sua grande sur­presa, é a aris­to­crata quem se sente per­tur­bada na pre­sença daquele homem de enig­má­ti­cos olhos azuis.

Opi­nião
Emba­lada pela lei­tura ante­rior e por­que já há algum tempo tinha von­tade de expe­ri­men­tar esta autora, decidi pegar neste Casa­mento de Con­ve­ni­ên­cia que, como a autora explica no seu site, não faz pro­pri­a­mente parte de uma série, mas tem alguns livros rela­ci­o­na­dos no que res­peita à época, tema e local onde decor­rem, pelo que podem ser lidos sepa­ra­da­mente. Antes deste livro, a ASA tinha já publi­cado As Regras de Sedu­çãoJogos de Sedu­ção, que fazem parte da série Rothwell.

O enredo deste livro decorre no século XIV inglês e começa quando jovem Chris­ti­ana, orfã e depen­dente do Rei, des­co­bre que este deci­diu que teria de se casar com o mer­ca­dor David de Abyn­don. Após ten­tar dis­su­a­dir o seu futuro marido de casar com ela, ale­gando estar apai­xo­nada por outra pes­soa e de este ter insis­tido no enlance, Chris­tina começa a resignar-​se à ideia e acaba por des­co­brir que afi­nal David não lhe é indi­fe­rente e que o ver­da­deiro amor não é aquilo que ela ima­gi­nava. À medida que acom­pa­nha­mos a evo­lu­ção da his­tó­ria dos dois, temos opor­tu­ni­dade de vis­lum­brar o con­texto his­tó­rico, a um nível mais deta­lhado do que seria de espe­rar de um livro do género, estando pre­sen­tes várias intri­gas e jogos polí­ti­cos que, na minha opi­nião, aju­dam a tor­nar o livro mais interessante.

A pre­ten­são da autora em escre­ver um romance, ape­sar de con­tex­tu­a­li­zado num ambi­ente his­tó­rico, implica que o prin­ci­pal foco da his­tó­ria são as duas per­so­na­gens prin­ci­pais e a rela­ção que se desen­volve entre elas, e pres­su­põe, por isso, que o sucesso do enredo perante o lei­tor dependa da medida em que este con­siga identificar-​se com os sen­ti­men­tos, dile­mas e moti­va­ções des­tas per­so­na­gens. E a ver­dade é que, a meu ver, isso rara­mente acon­tece. Chris­ti­ana é uma menina mimada, repleta de incons­tân­cia sen­ti­men­tal, que chega mesmo a ser irri­tante. David, que começa por pare­cer uma per­so­na­gem extre­ma­mente inte­res­sante e mis­te­ri­osa, acaba por não se reve­lar assim tão mis­te­ri­oso e toma algu­mas ati­tu­des que não con­ven­cem. A inte­rac­ção entre os dois é extre­ma­mente explí­cita (algo que é de espe­rar neste tipo de livros), mas o prin­ci­pal pro­blema é mesmo que a pre­sença des­tas cenas acaba por pare­cer supér­flua e pouco natu­ral no desen­ro­lar do enredo. Não con­ven­cem, estão mera­mente lá.

Ape­sar de con­ter deta­lhes his­tó­ri­cos inte­res­san­tes e de entre­ter, a espa­ços, esta lei­tura aca­bou por se reve­lar uma desi­lu­são. Fica ainda a nota final para a quan­ti­dade de gra­lhas que este livro con­tém, pelo que não seria de des­de­nhar uma nova revi­são em edi­ções futu­ras. — Célia M.

4/​10 — Mau, mas com alguns méritos

Livro n.º 64 de 2010

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Prazeres Proibidos

Tuesday, July 27, 2010 Post por Estante de Livros

Autor: Laura Lee Guhrke
Título Ori­gi­nal: Guilty Ple­a­su­res (2004)
Edi­tora: Livros d’Hoje
Pági­nas: 320
ISBN: 9789722038188
Tra­du­tor: Sónia Mota Maia

Sinopse
Toda a mulher tem os seus pra­ze­res proi­bi­dos…
Para a deli­cada e tímida Daphne Wade, o mais ape­te­cí­vel pra­zer proi­bido é obser­var dis­cre­ta­mente o seu patrão, o duque de Tre­more, enquanto este tra­ba­lha numa esca­va­ção na sua her­dade. Daphne foi con­tra­tada para res­tau­rar os tesou­ros de valor incal­cu­lá­vel que Anthony tem estado a desen­ter­rar, mas não é fácil para uma mulher concentrar-​se no seu tra­ba­lho quando o seu atra­ente patrão está sem­pre em tronco nu. Ape­sar dele não repa­rar nela, quem a pode cen­su­rar por, mesmo assim, se ter apai­xo­nado deses­pe­ra­da­mente por ele?
Quando a irmã de Anthony, Viola, decide trans­for­mar esta jovem e sim­ples mulher de óculos dou­ra­dos numa pro­vo­cante bel­dade, ele declara a tarefa impos­sí­vel. Daphne fica arra­sada quando sabe… mas está deter­mi­nada a pro­var que ele está errado. Agora, uma vigo­rosa e cati­vante Daphne sai da sua con­cha e o fei­tiço vira-​se con­tra o fei­ti­ceiro. Será que Anthony con­se­guirá per­ce­ber que a mulher dos seus sonhos esteve sem­pre ali?

Opi­nião
Gra­ças à White_​Lady, cujas opi­niões tenho em grande conta (e que, mais uma vez, foram de grande valia), decidi com­prar este livro na última Feira do Livro de Lis­boa e guardá-​lo para as férias, altura que me parece mais pro­pí­cia a este tipo de leituras.

A his­tó­ria é sim­ples: no século XIX, um duque inglês leva a cabo esca­va­ções na sua pro­pri­e­dade para des­co­brir anti­gui­da­des roma­nas e conta, para isso, com ajuda de Daphne Wade, espe­ci­a­lista em cata­lo­gar e tra­tar des­co­ber­tas arque­o­ló­gi­cas, devido aos anos de prá­tica que ganhou a aju­dar o pai nessa tarefa em vários locais do mundo. Há algum tempo que Daphne vinha desen­vol­vendo uma pai­xão pla­tó­nica pelo duque Anthony, que nunca pas­sou disso mesmo pela timi­dez e dis­cri­ção da jovem. No entanto, quando ouve uma con­versa de Anthony com a sua irmã Viola, em que este fala dela em ter­mos depre­ci­a­ti­vos, Daphne decide demitir-​se, dando assim iní­cio a uma vira­gem na sua per­so­na­li­dade e fazendo com que o duque comece a vê-​la com dife­ren­tes olhos.

Ape­sar de decor­rer num período his­tó­rico, não se pode con­si­de­rar um romance his­tó­rico, uma vez que é pra­ti­ca­mente ape­nas des­ta­cada a com­po­nente “romance”. Con­tudo, exis­tem algu­mas infor­ma­ções inte­res­san­tes rela­ti­va­mente a esca­va­ções arque­o­ló­gi­cas e ao tra­ta­mento das peças descobertas.

Rara­mente um livro deste género tem um final impre­vi­sí­vel, mas tam­bém não é isso que o lei­tor aqui pro­cura. Ape­sar de já saber­mos para quem fim as per­so­na­gens se diri­gem, rara­mente os acon­te­ci­men­tos ou diá­lo­gos pare­cem for­ça­dos e a his­tó­ria decorre com uma flui­dez que agarra o lei­tor e não o deixa lar­gar o livro até vol­tar a última página. Exis­tindo a pre­dis­po­si­ção ideal, acaba por ser um livro recompensador.

É, basi­ca­mente, um livro para almas român­ti­cas, que, ape­sar do cariz mais explí­cito de algu­mas cenas, nunca parece dema­si­ado físico ou super­fi­cial, sendo antes uma his­tó­ria que apela aos sen­ti­men­tos e glo­ri­fica esse sen­ti­mento tão impor­tante que é o amor. Den­tro do género, pareceu-​me muito bom e espero con­ti­nuar a seguir as his­tó­rias desta autora.– Célia M.

8/​10 — Muito Bom

Livro n.º 63 de 2010

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Traição de Sangue

Monday, July 26, 2010 Post por Estante de Livros

Autor: Char­laine Har­ris
Título Ori­gi­nal: Defi­ni­tely Dead (2006)
Edi­tora: Saída de Emer­gên­cia
Pági­nas: 288
ISBN: 9789896372361
Tra­du­tor: Renato Carreira

Sinopse
Soo­kie Stackhouse, uma empre­gada de bar na pequena vila Bon Temps em Loui­si­ana, tem tão pou­cos paren­tes vivos que a entris­tece per­der mais um; neste caso a sua prima Hadley, amante da rai­nha dos vam­pi­ros de Nova Orleães.
Hadley dei­xou tudo o que tinha a Soo­kie, mas recla­mar essa herança tem ris­cos ele­va­dos. Há quem não queira que ela vas­cu­lhe dema­si­ado o pas­sado e as pos­ses da prima — nome­a­da­mente uma pul­seira vali­osa que faz parte de um con­junto ofe­re­cido pelo rei vam­piro do Arkan­sas à rai­nha do Loui­si­ana, e que Hadley rou­bou e escon­deu antes de ser assas­si­nada.
Soo­kie tenta evi­tar um con­flito diplo­má­tico entre os dois reis mas, mais uma vez, a sua vida está em perigo pois alguém fará qual­quer coisa para a travar…

Opi­nião
Trai­ção de San­gue é já o 6.º volume da Saga do San­gue Fresco, que conta até ao momento com 10 volu­mes. Por cá, não deve­re­mos demo­rar muito a con­se­guir acom­pa­nhar as publi­ca­ções ori­gi­nais, devido à assi­na­lá­vel rapi­dez com a que a edi­tora Saída de Emer­gên­cia tem publi­cado os volu­mes desta saga, com cerca de 3 meses de dis­tân­cia entre eles.

Este 6.º volume con­ti­nua cla­ra­mente na toada do ante­rior, com a pro­ta­go­nista Soo­kie a envolver-​se cada vez mais no mundo vam­pí­rico e nas suas polí­ti­cas e hie­rar­quias, não dei­xando, como sem­pre, de se tor­nar numa espé­cie de íman de pro­ble­mas e aca­bar, ine­vi­ta­vel­mente, com maze­las físi­cas. Desta vez, Soo­kie tem de se des­lo­car a Nova Orleães para tomar conta dos bens da sua fale­cida prima, Hadley (que mor­reu enquanto vam­pira) e, ao mesmo tempo, dedica-​se a desen­vol­ver a sua rela­ção com Quinn, o meta­morfo que se trans­forma em tigre, e que já tinha apa­re­cido no volume ante­rior. Ambos os acon­te­ci­men­tos tra­zem con­sigo vários pro­ble­mas, cuja expli­ca­ção acaba por ser muito menos sim­ples do que parece à pri­meira vista. Este livro con­tém algu­mas infor­ma­ções inte­res­san­tes rela­ti­va­mente a acon­te­ci­men­tos pas­sa­dos e tam­bém sobre a natu­reza de Soo­kie, que aju­dam a expli­car algu­mas ques­tões que sur­gi­ram em livros ante­ri­o­res e que pare­ce­ram algo exageradas/​improváveis.

Quem tem vindo a seguir esta série cer­ta­mente gos­tará de mais este volume, uma vez que con­tém os ingre­di­en­tes que a tor­nam ape­la­tiva: uma pro­ta­go­nista com a qual o comum dos mor­tais se pode iden­ti­fi­car e com um sen­tido de humor irre­sis­tí­vel, uma soci­e­dade muito inte­res­sante e um leque de per­so­na­gens secun­dá­rias muito for­tes. Uma série para con­ti­nuar a seguir. – Célia M.

7/​10 — Bom

Livro n.º 62 de 2010

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Resultado do passatempo “A Mulher do Viajante no Tempo”

Monday, July 26, 2010 Post por Estante de Livros

O nosso muito obri­gado a todas as 227 pes­soas que envi­a­ram as suas par­ti­ci­pa­ções para mais este pas­sa­tempo. As res­pos­tas pre­ten­di­das às per­gun­tas que colo­cá­mos são:

1 - Qual a data da 1.ª edi­ção deste livro em Por­tu­gal? (dia/​mês/​ano) 01/​12/​2004
2 - Quais os nomes dos dois pro­ta­go­nis­tas desta his­tó­ria? Henry e Clare
3 - O que lec­ci­ona Audrey Nif­fe­neg­ger? Escrita cri­a­tiva e Téc­ni­cas de impres­são e enca­der­na­ção de luxo

O ven­ce­dor, sor­te­ado ale­a­to­ri­a­mente, é:
190 - Patrí­cia Raquel Jacob Cor­deiro (Cernache)

Mui­tos parabéns!

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Colecção Correio da Manhã

Saturday, July 24, 2010 Post por Estante de Livros

No Verão, já é cos­tume apa­re­ce­rem várias colec­ções de livros com publi­ca­ções perió­di­cas (lem­bra­mos que estão a decor­rer as colec­ções do DN/​JN e da revista Visão) e desde hoje está a decor­rer uma nova colec­ção com o Cor­reio da Manhã subor­di­nada à temá­tica dos vam­pi­ros, tão em voga, enti­tu­lada “O Cre­pús­culo dos Vam­pi­ros”, da auto­ria de Sebas­tian Rook. Os livros esta­rão dis­po­ní­veis todos os sába­dos até 28 de Agosto por 4,99€. Podem con­sul­tar mais infor­ma­ções aqui.

PS: Obri­gado à black­jewel do nosso fórum pela dica.

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O Punhal do Soberano

Friday, July 23, 2010 Post por Estante de Livros

Autor: Robin Hobb
Título Ori­gi­nal: Royal Assas­sin (1.ª metade)
Edi­tora: Saída de Emer­gên­cia
Pági­nas: 384
ISBN: 9789896371302
Tra­du­tor: Jorge Candeias

Sinopse
Fitz mal esca­pou com vida à sua pri­meira mis­são como assas­sino ao ser­viço do rei. Regressa a Torre do Cervo, enquanto recu­pera do veneno que o dei­xou às por­tas da morte, mas a con­va­les­cença é lenta e o rapaz afunda-​se na amar­gura e dor. O seu único refú­gio será a Manha, a antiga magia de comu­nhão com os ani­mais, que deve man­ter em segredo a todo o custo. Enquanto recu­pera, o reino dos Seis Duca­dos atra­vessa tem­pos difí­ceis com os ata­ques san­gui­ná­rios dos Navios Ver­me­lhos. A guerra é ine­vi­tá­vel e preparam-​se fro­tas de com­bate para enfren­tar o ini­migo, mas o rei Sagaz não viverá por muito mais tempo. Sem os talen­tos de Fitz, o reino poderá não sobre­vi­ver. Estará o assas­sino real à altura das pro­fe­cias do Bobo que indi­cam que o rapaz irá mudar o mundo?

Opi­nião
O Punhal do Sobe­rano é o segundo volume da Saga do Assas­sino e, embora sendo uma con­ti­nu­a­ção, con­se­gue ter um cariz pró­prio e man­ter o inte­resse sem­pre vivo. O lei­tor acom­pa­nha novas per­so­na­gens e, sobre­tudo, conhece melhor os pal­cos da acção, o núcleo cen­tral de per­so­na­gens e o que as move.

Nova fase na vida de Fitz que já não é ape­nas um filho bas­tardo; mas, sim, uma impor­tante peça no puzzle real que, pouco a pouco, se vai deli­ne­ando. A debi­li­dade do rei Sagaz e as intri­gas do seu tio Majes­toso fazem com que o papel de Fitz se torne mais rele­vante e repre­sente, ele pró­prio, um equi­lí­brio para o bem-​estar e har­mo­nia na corte. Porém, os pro­ble­mas sucedem-​se tam­bém fora de Torre do Cervo, a cidade real, já que os Seis Duca­dos con­ti­nuam a ser ata­ca­dos pelos Navios Ver­me­lhos que põem tudo e todos em risco, em prol de uma causa sem valo­res nem regras.

Neste volume, a Manha e o Talento, qua­li­da­des sen­so­ri­ais de que Fitz é dotado, vol­tam a ser bem explo­ra­das (e retra­ta­das) pela autora, sendo que trans­mi­tem um forte elo entre algu­mas das per­so­na­gens. Do mesmo modo, atra­vés dos olhos (e da cabeça) do per­so­na­gem prin­ci­pal pre­sen­ci­a­mos, quase in loco, fan­tás­ti­cas aven­tu­ras que nos entu­si­as­mam, emo­ci­o­nam e nos levam a pen­sar sobre alguns valo­res impor­tan­tes, como, por exem­plo, a ami­zade, a sin­ce­ri­dade e a vingança.

Em O Punhal do Sobe­rano, dei­xa­mos para trás a cri­ança e conhe­ce­mos o jovem Fitz, com tudo o que isso repre­senta: a puber­dade, as des­co­ber­tas do amor, a impe­tu­o­si­dade e a incons­ci­ên­cia. Perante isto, a autora Robin Hobb guarda-​nos mara­vi­lho­sas des­co­ber­tas, a que se jun­tam des­cri­ções bem rea­lis­tas de alguns momen­tos mar­can­tes da vida da per­so­na­gem prin­ci­pal. Do mesmo modo, a acção cria liga­ções mais for­tes entre Fitz e algu­mas das outras per­so­na­gens seni­o­res, cujos diá­lo­gos são bas­tante ricos, apli­cá­veis, mui­tas vezes, à nossa vida real.

Dois livros depois, o inte­resse não esmo­rece e a Saga do Assas­sino cami­nha, a pas­sos lar­gos, para se tor­nar uma das minhas séries pre­fe­ri­das. Reco­mendo! — Cris­tina

8/​10 – Muito Bom

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Novidades Civilização

Thursday, July 22, 2010 Post por Estante de Livros

Um Dia, David Nicholls (27 de Julho)

Pode­mos viver toda uma vida sem nos aper­ce­ber­mos de que aquilo que pro­cu­ra­mos está mesmo à nossa frente. 15 de Julho de 1988. Emma e Dex­ter conhecem-​se na noite em que aca­bam o curso. No dia seguinte, terão de seguir cami­nhos dife­ren­tes. Onde esta­rão daqui a um ano? E no ano depois desse? E em todos os anos que se segui­rão? Vinte anos, duas pes­soas, um DIA.





Álbum de Famí­lia, Pene­lope Lively (10 de Agosto)

Allers­mead é uma enorme e velha casa vito­ri­ana, nos subúr­bios. O lugar per­feito para a ele­gante San­dra, a difí­cil Gina, o auto­des­trui­dor Paul, a sen­sata Katie, o inte­li­gente Roger e a volú­vel Clare cres­ce­rem. Mas terá sido? Já adul­tos, regres­sam todos a Allers­mead, um por um. À mãe, uma dona de casa dedi­cada, ao pai, um escri­tor alhe­ado de tudo, e à casa que durante anos foi tes­te­mu­nha silen­ci­osa dos segre­dos fami­li­a­res. E de um segredo devas­ta­dor de que nin­guém fala…





As Con­fis­sões de Max Tivoli, Andrew Sean Greer (10 de Agosto)

Max Tivoli está a escre­ver a his­tó­ria da sua vida. Tem quase setenta anos, mas parece ter ape­nas sete — por­que está a enve­lhe­cer ao con­trá­rio. A tra­gé­dia da vida de Max foi ter-​se apai­xo­nado, aos dezas­sete anos, por Alice, uma rapa­riga da sua idade — mas, para ela, Max parece um muito pouco atra­ente homem de meia-​idade. Con­tudo, quando Max chega aos trinta e cinco anos, com um aspecto con­di­zente, tem a sua segunda opor­tu­ni­dade no amor. No entanto, a feli­ci­dade foge a este casal per­se­guido pelo azar, e são neces­sá­rias medi­das desesperadas.

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Helena de Tróia

Wednesday, July 21, 2010 Post por Estante de Livros

Autor: Mar­ga­ret George
Título Ori­gi­nal: Helen of Troy (2006)
Edi­tora: Saída de Emer­gên­cia
Pági­nas: 368 + 352
ISBN:9789898032768/​9789898032812
Tra­du­tor: Isa­bel Penteado

Sinopse
Filha de um deus, mulher de um rei, pré­mio da guerra mais san­grenta da Anti­gui­dade, Helena de Tróia ins­pira artis­tas há milé­nios. E Mar­ga­ret George dá nova vida ao grande conto homé­rico pondo Helena a nar­rar a pró­pria his­tó­ria. Atra­vés dos seus olhos e da sua voz, vive­mos a des­co­berta da jovem Helena sobre a sua ori­gem divina e beleza avas­sa­la­dora. Pouco mais do que uma menina, Helena casa-​se com Mene­lau, rei de Esparta, e dá-​lhe uma filha. Aos vinte anos de idade, a mulher mais bela do mundo estava resig­nada com um casa­mento desa­pai­xo­nado — até encon­trar o atra­ente prín­cipe troi­ano, Páris. E quando os apai­xo­na­dos fogem para Tróia, guerra, assas­sí­nio e tra­gé­dia tornam-​se ine­vi­tá­veis. Em Helena de Tróia, Mar­ga­ret George cap­tu­rou uma lenda intem­po­ral num conto hip­no­ti­zante acerca de uma mulher cuja vida estava des­ti­nada a criar con­flito… e a des­truir civilizações.

Opi­nião
Mar­ga­ret George é uma escri­tora de roman­ces his­tó­ri­cos que tem espe­cial pen­dor para retra­tar figu­ras femi­ni­nas da Anti­gui­dade. Depois de Maria Mada­lena e de Cleó­pa­tra (de cujas Memó­rias li e gos­tei muito do 1.º volume), surge agora a vez da mito­ló­gica Helena de Tróia. Mito­ló­gica por­que, até hoje, a sua exis­tên­cia, bem como da famosa guerra de Tróia, não está his­to­ri­ca­mente pro­vada, estando o seu mito prin­ci­pal­mente pre­sente na Ilíada e na Odis­seia de Homero.

Nes­tes dois livros, que cons­ti­tuem as duas meta­des do ori­gi­nal, Mar­ga­ret George propõe-​se recon­tar a his­tó­ria sob o ponto de vista de Helena, man­tendo os deta­lhes his­tó­ri­cos pos­sí­veis (como explica no Pos­fá­cio) e recu­pe­rando a mito­lo­gia que envolve a Guerra de Tróia e o que lhe deu ori­gem. A autora explica tam­bém que as his­tó­rias desta época foram gran­de­mente influ­en­ci­a­das pela pre­sença dos Deu­ses, que aqui con­ti­nuam a dar o ar de sua graça, mas de forma mais ténue.

Conhe­ce­mos Helena desde cri­ança, atra­ves­sa­mos com ela o seu cres­ci­mento como filha do Rei de Esparta e o seu casa­mento pre­coce com Mene­lau, após uma ceri­mó­nia de esco­lha do seu futuro marido sem pre­cen­den­tes para a época. A ver­dade é que a beleza de Helena tinha muita fama, e pare­cia que a jovem tinha sido tocada pelos Deu­ses. Já depois de casada e mãe de uma filha, Helena e o seu marido rece­bem em Esparta uma dele­ga­ção troi­ana, cons­ti­tuída por Eneias e Páris, o jovem filho do rei troi­ano, Príamo. Tocada pela deusa Afro­dite, Helena apaixona-​se por Páris, este cor­res­ponde, e fogem os dois em segredo para Tróia.

Aga­mém­non, irmão de Mene­lau, vê esta situ­a­ção como a opor­tu­ni­dade per­feita de saciar a sua sede de guerra e, com base num jura­mento que todos os pre­ten­den­tes a marido de Helena haviam feito na altura em que esta esco­lheu Mene­lau, junta um exér­cito de pro­por­ções épicas para con­quis­tar e des­truir Tróia.

Estes livros des­cre­vem em bas­tante por­me­nor todo o per­curso de Helena após ter fugido com Páris para Tróia, e a guerra que a uti­li­zou como pre­texto para con­quis­tar uma cidade muito cobi­çada pela sua riqueza e impor­tân­cia estra­té­gica. Uma guerra impi­e­dosa, que foi levando os heróis da Anti­gui­dade e teve como mote o des­tino ine­vi­tá­vel, os huma­nos como ins­tru­men­tos dos Deu­ses e a pre­sença sem­pre maca­bra da morte. A pri­meira metade do livro foca-​se mais em Helena, nos seus anseios, moti­va­ções e pai­xões; na segunda, Tróia é a grande pro­ta­go­nista e Helena os olhos que nos per­mi­tem vê-​la. Penso que, de um modo geral, foi con­se­guido um bom equi­lí­brio entre as duas abor­da­gens e inte­res­sará tanto a quem pro­cura um bom romance his­tó­rico como a quem gosta de ler uma boa his­tó­ria. Ape­sar de nem sem­pre ter achado o amor entre Helena e Páris com­ple­ta­mente con­vin­cente, gos­tei muito da “voz” da per­so­na­gem prin­ci­pal, e de conhe­cer (ou vol­tar a conhe­cer) tan­tas per­so­na­gens que fazem parte do nosso ima­gi­ná­rio colec­tivo. Reco­mendo! - Célia M.

8/​10 — Muito Bom

Livros n.º 59 e 61 de 2010

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Categorias: Opiniões

Novidades Porto Editora/​Sextante

Tuesday, July 20, 2010 Post por Estante de Livros

As Nove Plan­tas do Desejo, Mar­got Berwin (Porto Editora)

Pouco depois do divór­cio, a publi­ci­tá­ria Lila Nova com­pra a sua pri­meira planta.
Trata-​se de uma exu­be­rante estre­lí­cia e o ven­de­dor é David Exley, um agros­se­xual rude, que pro­mete fazê-​la ver estre­las. Lila fica ime­di­a­ta­mente obce­cada — pelas plan­tas e pelo homem que as vende — mas, quando David a ini­cia no mito das nove plan­tas do desejo e depois de ela conhe­cer um homem cha­mado Armand que diz possuí-​las todas, a sua obses­são alcança dimen­sões ines­pe­ra­das.
Por­que, segundo a lenda, se ela encon­trar todas as plan­tas, verá cada um dos seus dese­jos mais pro­fun­dos rea­li­zado.
Mas Lila con­fia em quem não deve e, em breve, ver-​se-​á envol­vida numa aven­tura ines­pe­rada: no cora­ção do Iuca­tão, sozi­nha, com uma mochila car­re­gada de guias turís­ti­cos e um champô dema­si­ado caro, aca­bará por des­ven­dar os mis­té­rios da selva — e da sua pró­pria vida.


Por Trás do Silên­cio, Heather Guden­kauf (Porto Editora)

Aos pri­mei­ros raios da manhã, na sufo­cante atmos­fera do Iowa, duas famí­lias acor­dam e des­co­brem que as filhas desa­pa­re­ce­ram mis­te­ri­o­sa­mente durante a noite.

Calli é uma menina meiga e muito sonha­dora que sofre de mutismo selec­tivo, des­po­le­tado por um epi­só­dio trá­gico que a mer­gu­lhou no silên­cio, ainda bebé. Petra é a sua melhor amiga, alma gémea e voz.

As famí­lias de ambas unem-​se no deses­pero pela ausên­cia das filhas, mas, à medida que o tempo passa, a união e o apoio mútuo dão lugar à sus­pei­ção. E a res­posta revela-​se tran­cada no silên­cio dos mais inter­di­tos segre­dos de família.



O Ogre, Jac­ques Ches­sex (Sextante)

Des­truir o pai. Parece impos­sí­vel para Jean Cal­met, pro­fes­sor de Latim em Lau­sanne, na Suíça. Depois de assis­tir à cre­ma­ção do pai, os fan­tas­mas e as humi­lha­ções do pas­sado vol­tam para o tira­ni­zar. Neste livro, que ganhou o Pré­mio Gon­court, Jac­ques Ches­sex desen­rola o fio de uma vida devo­rada por um ogre estron­doso que rou­bou o pra­zer da vida aos filhos e lhes fez pagar a sua cobar­dia. Um pai nunca morre…






Nunca cases com uma mulher de pés gran­des, Mineke Schip­per (Sextante)

Em todas as cul­tu­ras, as ques­tões rela­ti­vas ao sexo e ao género foram expres­sas em pro­vér­bios, uma das mais cur­tas for­mas lite­rá­rias. Este livro apre­senta um estudo sur­pre­en­dente e diver­tido sobre as seme­lhan­ças (até mais do que dife­ren­ças!) entre milha­res de pro­vér­bios sobre a mulher, a sua condi-​ção e as suas vivên­cias, pro­ve­ni­en­tes de cen­te­nas de lín­guas e mais de 150 países.

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