Autor: Evgueni Zamiatine
Título Original: Мы (1920)
Editora: Antígona
Páginas: 287
ISBN: 9726080320
Tradutor: Manuel João Gomes
Sinopse
Neste romance, escrito em 1920, Zamiatine descreve, mais do que um mundo futuro, as relações humanas nesse mundo, que é eficazmente produtivista, limpo, desprovido de emoção.
As figuras humanas visíveis são apenas as dos adultos; os velhos e as crianças não estão presentes na narrativa. Os homens e as mulheres são aparentemente iguais, a começar pelo vestuário, funcional e simples (os unifs); todos têm números, e não nomes.
O meio circundante corresponde necessariamente a este tipo humano: visto a individualidade não existir, os apartamentos são transparentes. Só nas relações sexuais, superiormente organizadas, obedecendo sempre a um dia e a uma hora pré-determinados, surge um vislumbre de privacidade: fecham-se as persianas do quarto.
Trata-se, enfim, de uma ficção sobre o triunfo da racionalidade num sistema social em que cada pessoa se dissipa numa ideia de comunidade.
Opinião
Após ter lido algumas das principais distopias (Mil Novecentos e Oitenta e Quatro, Fahrenheit 451 e A Laranja Mecânica), percebi que este é um género que me agrada bastante e foi com naturalidade que cheguei a este Nós, que é considerado o “pai” das distopias e que terá influenciado a obra mais conhecida de George Orwell.
As distopias são conhecidas por representarem sociedades futuristas marcadas pelo controlo e pela repressão e que vivem sob o disfarce de serem uma utopia. Em Nós, viajamos para o ano 3000, onde as pessoas têm nomes que poderiam ser designações de máquinas (o narrador e personagem principal chama-se D-503) e onde a racionalidade é levada a um extremo — existe uma Tábua dos Mandamentos Horários que determina as horas e a duração de todas as actividades, mesmo as pessoais (a actividade sexual, por exemplo, tem dia e hora marcado). O local onde D-503 vive está rodeado por um muro verde, que o separa da Natureza e que é proibido ultrapassar. O Estado Único é gerido pelo Benfeitor (equiparado ao Big Brother de Mil Novecentos e Oitenta e Quatro), que é unanimemente reeleito em todas as eleições anuais. A liberdade é um conceito encarado como ultrapassado e impeditivo do bom funcionamento da sociedade, onde não existe o eu, mas apenas o nós. O livre arbítrio seria a principal causa da infelicidade e, por isso, foi erradicado.
D-503 narra este livro sob a forma de diário, e vai dando a conhecer a um leitor imaginário, situado no passado, a perfeição da sociedade em que se integra. No entanto, o aparecimento da original e única E-330 abrirá novos horizontes a D-503, que começa a questionar a racionalidade e a repressão da imaginação que vigoram no Estado Único e dá por si a almejar por algo mais.
É um livro que, tal como é comum nas distopias, levanta várias questões interessantes e nos apresenta um retrato extremo de uma sociedade onde os valores essenciais da democracia, da liberdade e do livre arbítrio, que tanto prezamos nos dias que correm, são praticamente inexistentes. O livro reflecte as experiências pessoais do autor aquando das duas Revoluções Russas do início do século XX e também na 1.ª Guerra Mundial e não pode deixar de ser encarado como uma crítica implícita ao regime comunista.
Objectivamente, julgo ser um livro bastante interessante para quem gosta deste género, contendo uma série de técnicas literárias que influenciaram claramente o Mil Novecentos e Oitenta e Quatro de Orwell e, diz quem leu, Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley. Pessoalmente, não me cativou tanto como as distopias que li anteriormente em termos de enredo, identificação com as persongens e sensação de opressão que a sociedade transmite. Ainda assim, dei o meu tempo por bem empregue e, por isso, recomendo este livro. - Célia M.
7/10 — Bom
Autor: Madeline Hunter
Título Original: By Arrangement (2000)
Editora: ASA
Páginas: 352
ISBN: 9789892307169
Tradutor: Ana Nereu
Sinopse
Lady Christiana Fitzwaryn está apaixonada.
Infelizmente, o seu futuro marido não é o homem dos seus sonhos mas sim um perfeito desconhecido, com quem o próprio rei Eduardo negociou o enlace. Sobre este homem, Christiana apenas sabe tratar-se de um mero mercador plebeu. Não estava, pois, preparada para o primeiro encontro: David de Abyndon revela ter um carisma extraordinário e nutre uma indiferença desconcertante em relação ao estatuto social dela. Para sua grande surpresa, é a aristocrata quem se sente perturbada na presença daquele homem de enigmáticos olhos azuis.
Opinião
Embalada pela leitura anterior e porque já há algum tempo tinha vontade de experimentar esta autora, decidi pegar neste Casamento de Conveniência que, como a autora explica no seu site, não faz propriamente parte de uma série, mas tem alguns livros relacionados no que respeita à época, tema e local onde decorrem, pelo que podem ser lidos separadamente. Antes deste livro, a ASA tinha já publicado As Regras de Sedução e Jogos de Sedução, que fazem parte da série Rothwell.
O enredo deste livro decorre no século XIV inglês e começa quando jovem Christiana, orfã e dependente do Rei, descobre que este decidiu que teria de se casar com o mercador David de Abyndon. Após tentar dissuadir o seu futuro marido de casar com ela, alegando estar apaixonada por outra pessoa e de este ter insistido no enlance, Christina começa a resignar-se à ideia e acaba por descobrir que afinal David não lhe é indiferente e que o verdadeiro amor não é aquilo que ela imaginava. À medida que acompanhamos a evolução da história dos dois, temos oportunidade de vislumbrar o contexto histórico, a um nível mais detalhado do que seria de esperar de um livro do género, estando presentes várias intrigas e jogos políticos que, na minha opinião, ajudam a tornar o livro mais interessante.
A pretensão da autora em escrever um romance, apesar de contextualizado num ambiente histórico, implica que o principal foco da história são as duas personagens principais e a relação que se desenvolve entre elas, e pressupõe, por isso, que o sucesso do enredo perante o leitor dependa da medida em que este consiga identificar-se com os sentimentos, dilemas e motivações destas personagens. E a verdade é que, a meu ver, isso raramente acontece. Christiana é uma menina mimada, repleta de inconstância sentimental, que chega mesmo a ser irritante. David, que começa por parecer uma personagem extremamente interessante e misteriosa, acaba por não se revelar assim tão misterioso e toma algumas atitudes que não convencem. A interacção entre os dois é extremamente explícita (algo que é de esperar neste tipo de livros), mas o principal problema é mesmo que a presença destas cenas acaba por parecer supérflua e pouco natural no desenrolar do enredo. Não convencem, estão meramente lá.
Apesar de conter detalhes históricos interessantes e de entreter, a espaços, esta leitura acabou por se revelar uma desilusão. Fica ainda a nota final para a quantidade de gralhas que este livro contém, pelo que não seria de desdenhar uma nova revisão em edições futuras. — Célia M.
4/10 — Mau, mas com alguns méritos
Autor: Laura Lee Guhrke
Título Original: Guilty Pleasures (2004)
Editora: Livros d’Hoje
Páginas: 320
ISBN: 9789722038188
Tradutor: Sónia Mota Maia
Sinopse
Toda a mulher tem os seus prazeres proibidos…
Para a delicada e tímida Daphne Wade, o mais apetecível prazer proibido é observar discretamente o seu patrão, o duque de Tremore, enquanto este trabalha numa escavação na sua herdade. Daphne foi contratada para restaurar os tesouros de valor incalculável que Anthony tem estado a desenterrar, mas não é fácil para uma mulher concentrar-se no seu trabalho quando o seu atraente patrão está sempre em tronco nu. Apesar dele não reparar nela, quem a pode censurar por, mesmo assim, se ter apaixonado desesperadamente por ele?
Quando a irmã de Anthony, Viola, decide transformar esta jovem e simples mulher de óculos dourados numa provocante beldade, ele declara a tarefa impossível. Daphne fica arrasada quando sabe… mas está determinada a provar que ele está errado. Agora, uma vigorosa e cativante Daphne sai da sua concha e o feitiço vira-se contra o feiticeiro. Será que Anthony conseguirá perceber que a mulher dos seus sonhos esteve sempre ali?
Opinião
Graças à White_Lady, cujas opiniões tenho em grande conta (e que, mais uma vez, foram de grande valia), decidi comprar este livro na última Feira do Livro de Lisboa e guardá-lo para as férias, altura que me parece mais propícia a este tipo de leituras.
A história é simples: no século XIX, um duque inglês leva a cabo escavações na sua propriedade para descobrir antiguidades romanas e conta, para isso, com ajuda de Daphne Wade, especialista em catalogar e tratar descobertas arqueológicas, devido aos anos de prática que ganhou a ajudar o pai nessa tarefa em vários locais do mundo. Há algum tempo que Daphne vinha desenvolvendo uma paixão platónica pelo duque Anthony, que nunca passou disso mesmo pela timidez e discrição da jovem. No entanto, quando ouve uma conversa de Anthony com a sua irmã Viola, em que este fala dela em termos depreciativos, Daphne decide demitir-se, dando assim início a uma viragem na sua personalidade e fazendo com que o duque comece a vê-la com diferentes olhos.
Apesar de decorrer num período histórico, não se pode considerar um romance histórico, uma vez que é praticamente apenas destacada a componente “romance”. Contudo, existem algumas informações interessantes relativamente a escavações arqueológicas e ao tratamento das peças descobertas.
Raramente um livro deste género tem um final imprevisível, mas também não é isso que o leitor aqui procura. Apesar de já sabermos para quem fim as personagens se dirigem, raramente os acontecimentos ou diálogos parecem forçados e a história decorre com uma fluidez que agarra o leitor e não o deixa largar o livro até voltar a última página. Existindo a predisposição ideal, acaba por ser um livro recompensador.
É, basicamente, um livro para almas românticas, que, apesar do cariz mais explícito de algumas cenas, nunca parece demasiado físico ou superficial, sendo antes uma história que apela aos sentimentos e glorifica esse sentimento tão importante que é o amor. Dentro do género, pareceu-me muito bom e espero continuar a seguir as histórias desta autora.– Célia M.
8/10 — Muito Bom
Autor: Charlaine Harris
Título Original: Definitely Dead (2006)
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 288
ISBN: 9789896372361
Tradutor: Renato Carreira
Sinopse
Sookie Stackhouse, uma empregada de bar na pequena vila Bon Temps em Louisiana, tem tão poucos parentes vivos que a entristece perder mais um; neste caso a sua prima Hadley, amante da rainha dos vampiros de Nova Orleães.
Hadley deixou tudo o que tinha a Sookie, mas reclamar essa herança tem riscos elevados. Há quem não queira que ela vasculhe demasiado o passado e as posses da prima — nomeadamente uma pulseira valiosa que faz parte de um conjunto oferecido pelo rei vampiro do Arkansas à rainha do Louisiana, e que Hadley roubou e escondeu antes de ser assassinada.
Sookie tenta evitar um conflito diplomático entre os dois reis mas, mais uma vez, a sua vida está em perigo pois alguém fará qualquer coisa para a travar…
Opinião
Traição de Sangue é já o 6.º volume da Saga do Sangue Fresco, que conta até ao momento com 10 volumes. Por cá, não deveremos demorar muito a conseguir acompanhar as publicações originais, devido à assinalável rapidez com a que a editora Saída de Emergência tem publicado os volumes desta saga, com cerca de 3 meses de distância entre eles.
Este 6.º volume continua claramente na toada do anterior, com a protagonista Sookie a envolver-se cada vez mais no mundo vampírico e nas suas políticas e hierarquias, não deixando, como sempre, de se tornar numa espécie de íman de problemas e acabar, inevitavelmente, com mazelas físicas. Desta vez, Sookie tem de se deslocar a Nova Orleães para tomar conta dos bens da sua falecida prima, Hadley (que morreu enquanto vampira) e, ao mesmo tempo, dedica-se a desenvolver a sua relação com Quinn, o metamorfo que se transforma em tigre, e que já tinha aparecido no volume anterior. Ambos os acontecimentos trazem consigo vários problemas, cuja explicação acaba por ser muito menos simples do que parece à primeira vista. Este livro contém algumas informações interessantes relativamente a acontecimentos passados e também sobre a natureza de Sookie, que ajudam a explicar algumas questões que surgiram em livros anteriores e que pareceram algo exageradas/improváveis.
Quem tem vindo a seguir esta série certamente gostará de mais este volume, uma vez que contém os ingredientes que a tornam apelativa: uma protagonista com a qual o comum dos mortais se pode identificar e com um sentido de humor irresistível, uma sociedade muito interessante e um leque de personagens secundárias muito fortes. Uma série para continuar a seguir. – Célia M.
7/10 — Bom
Livro n.º 62 de 2010
Resultado do passatempo “A Mulher do Viajante no Tempo”
O nosso muito obrigado a todas as 227 pessoas que enviaram as suas participações para mais este passatempo. As respostas pretendidas às perguntas que colocámos são:
1 - Qual a data da 1.ª edição deste livro em Portugal? (dia/mês/ano) 01/12/2004
2 - Quais os nomes dos dois protagonistas desta história? Henry e Clare
3 - O que lecciona Audrey Niffenegger? Escrita criativa e Técnicas de impressão e encadernação de luxo
O vencedor, sorteado aleatoriamente, é:
190 - Patrícia Raquel Jacob Cordeiro (Cernache)
Muitos parabéns!
No Verão, já é costume aparecerem várias colecções de livros com publicações periódicas (lembramos que estão a decorrer as colecções do DN/JN e da revista Visão) e desde hoje está a decorrer uma nova colecção com o Correio da Manhã subordinada à temática dos vampiros, tão em voga, entitulada “O Crepúsculo dos Vampiros”, da autoria de Sebastian Rook. Os livros estarão disponíveis todos os sábados até 28 de Agosto por 4,99€. Podem consultar mais informações aqui.
PS: Obrigado à blackjewel do nosso fórum pela dica.
Autor: Robin Hobb
Título Original: Royal Assassin (1.ª metade)
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 384
ISBN: 9789896371302
Tradutor: Jorge Candeias
Sinopse
Fitz mal escapou com vida à sua primeira missão como assassino ao serviço do rei. Regressa a Torre do Cervo, enquanto recupera do veneno que o deixou às portas da morte, mas a convalescença é lenta e o rapaz afunda-se na amargura e dor. O seu único refúgio será a Manha, a antiga magia de comunhão com os animais, que deve manter em segredo a todo o custo. Enquanto recupera, o reino dos Seis Ducados atravessa tempos difíceis com os ataques sanguinários dos Navios Vermelhos. A guerra é inevitável e preparam-se frotas de combate para enfrentar o inimigo, mas o rei Sagaz não viverá por muito mais tempo. Sem os talentos de Fitz, o reino poderá não sobreviver. Estará o assassino real à altura das profecias do Bobo que indicam que o rapaz irá mudar o mundo?
Opinião
O Punhal do Soberano é o segundo volume da Saga do Assassino e, embora sendo uma continuação, consegue ter um cariz próprio e manter o interesse sempre vivo. O leitor acompanha novas personagens e, sobretudo, conhece melhor os palcos da acção, o núcleo central de personagens e o que as move.
Nova fase na vida de Fitz que já não é apenas um filho bastardo; mas, sim, uma importante peça no puzzle real que, pouco a pouco, se vai delineando. A debilidade do rei Sagaz e as intrigas do seu tio Majestoso fazem com que o papel de Fitz se torne mais relevante e represente, ele próprio, um equilíbrio para o bem-estar e harmonia na corte. Porém, os problemas sucedem-se também fora de Torre do Cervo, a cidade real, já que os Seis Ducados continuam a ser atacados pelos Navios Vermelhos que põem tudo e todos em risco, em prol de uma causa sem valores nem regras.
Neste volume, a Manha e o Talento, qualidades sensoriais de que Fitz é dotado, voltam a ser bem exploradas (e retratadas) pela autora, sendo que transmitem um forte elo entre algumas das personagens. Do mesmo modo, através dos olhos (e da cabeça) do personagem principal presenciamos, quase in loco, fantásticas aventuras que nos entusiasmam, emocionam e nos levam a pensar sobre alguns valores importantes, como, por exemplo, a amizade, a sinceridade e a vingança.
Em O Punhal do Soberano, deixamos para trás a criança e conhecemos o jovem Fitz, com tudo o que isso representa: a puberdade, as descobertas do amor, a impetuosidade e a inconsciência. Perante isto, a autora Robin Hobb guarda-nos maravilhosas descobertas, a que se juntam descrições bem realistas de alguns momentos marcantes da vida da personagem principal. Do mesmo modo, a acção cria ligações mais fortes entre Fitz e algumas das outras personagens seniores, cujos diálogos são bastante ricos, aplicáveis, muitas vezes, à nossa vida real.
Dois livros depois, o interesse não esmorece e a Saga do Assassino caminha, a passos largos, para se tornar uma das minhas séries preferidas. Recomendo! — Cristina
8/10 – Muito Bom
Um Dia, David Nicholls (27 de Julho)
Podemos viver toda uma vida sem nos apercebermos de que aquilo que procuramos está mesmo à nossa frente. 15 de Julho de 1988. Emma e Dexter conhecem-se na noite em que acabam o curso. No dia seguinte, terão de seguir caminhos diferentes. Onde estarão daqui a um ano? E no ano depois desse? E em todos os anos que se seguirão? Vinte anos, duas pessoas, um DIA.
Álbum de Família, Penelope Lively (10 de Agosto)
Allersmead é uma enorme e velha casa vitoriana, nos subúrbios. O lugar perfeito para a elegante Sandra, a difícil Gina, o autodestruidor Paul, a sensata Katie, o inteligente Roger e a volúvel Clare crescerem. Mas terá sido? Já adultos, regressam todos a Allersmead, um por um. À mãe, uma dona de casa dedicada, ao pai, um escritor alheado de tudo, e à casa que durante anos foi testemunha silenciosa dos segredos familiares. E de um segredo devastador de que ninguém fala…
As Confissões de Max Tivoli, Andrew Sean Greer (10 de Agosto)
Max Tivoli está a escrever a história da sua vida. Tem quase setenta anos, mas parece ter apenas sete — porque está a envelhecer ao contrário. A tragédia da vida de Max foi ter-se apaixonado, aos dezassete anos, por Alice, uma rapariga da sua idade — mas, para ela, Max parece um muito pouco atraente homem de meia-idade. Contudo, quando Max chega aos trinta e cinco anos, com um aspecto condizente, tem a sua segunda oportunidade no amor. No entanto, a felicidade foge a este casal perseguido pelo azar, e são necessárias medidas desesperadas.

Autor: Margaret George
Título Original: Helen of Troy (2006)
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 368 + 352
ISBN:9789898032768/9789898032812
Tradutor: Isabel Penteado
Sinopse
Filha de um deus, mulher de um rei, prémio da guerra mais sangrenta da Antiguidade, Helena de Tróia inspira artistas há milénios. E Margaret George dá nova vida ao grande conto homérico pondo Helena a narrar a própria história. Através dos seus olhos e da sua voz, vivemos a descoberta da jovem Helena sobre a sua origem divina e beleza avassaladora. Pouco mais do que uma menina, Helena casa-se com Menelau, rei de Esparta, e dá-lhe uma filha. Aos vinte anos de idade, a mulher mais bela do mundo estava resignada com um casamento desapaixonado — até encontrar o atraente príncipe troiano, Páris. E quando os apaixonados fogem para Tróia, guerra, assassínio e tragédia tornam-se inevitáveis. Em Helena de Tróia, Margaret George capturou uma lenda intemporal num conto hipnotizante acerca de uma mulher cuja vida estava destinada a criar conflito… e a destruir civilizações.
Opinião
Margaret George é uma escritora de romances históricos que tem especial pendor para retratar figuras femininas da Antiguidade. Depois de Maria Madalena e de Cleópatra (de cujas Memórias li e gostei muito do 1.º volume), surge agora a vez da mitológica Helena de Tróia. Mitológica porque, até hoje, a sua existência, bem como da famosa guerra de Tróia, não está historicamente provada, estando o seu mito principalmente presente na Ilíada e na Odisseia de Homero.
Nestes dois livros, que constituem as duas metades do original, Margaret George propõe-se recontar a história sob o ponto de vista de Helena, mantendo os detalhes históricos possíveis (como explica no Posfácio) e recuperando a mitologia que envolve a Guerra de Tróia e o que lhe deu origem. A autora explica também que as histórias desta época foram grandemente influenciadas pela presença dos Deuses, que aqui continuam a dar o ar de sua graça, mas de forma mais ténue.
Conhecemos Helena desde criança, atravessamos com ela o seu crescimento como filha do Rei de Esparta e o seu casamento precoce com Menelau, após uma cerimónia de escolha do seu futuro marido sem precendentes para a época. A verdade é que a beleza de Helena tinha muita fama, e parecia que a jovem tinha sido tocada pelos Deuses. Já depois de casada e mãe de uma filha, Helena e o seu marido recebem em Esparta uma delegação troiana, constituída por Eneias e Páris, o jovem filho do rei troiano, Príamo. Tocada pela deusa Afrodite, Helena apaixona-se por Páris, este corresponde, e fogem os dois em segredo para Tróia.
Agamémnon, irmão de Menelau, vê esta situação como a oportunidade perfeita de saciar a sua sede de guerra e, com base num juramento que todos os pretendentes a marido de Helena haviam feito na altura em que esta escolheu Menelau, junta um exército de proporções épicas para conquistar e destruir Tróia.
Estes livros descrevem em bastante pormenor todo o percurso de Helena após ter fugido com Páris para Tróia, e a guerra que a utilizou como pretexto para conquistar uma cidade muito cobiçada pela sua riqueza e importância estratégica. Uma guerra impiedosa, que foi levando os heróis da Antiguidade e teve como mote o destino inevitável, os humanos como instrumentos dos Deuses e a presença sempre macabra da morte. A primeira metade do livro foca-se mais em Helena, nos seus anseios, motivações e paixões; na segunda, Tróia é a grande protagonista e Helena os olhos que nos permitem vê-la. Penso que, de um modo geral, foi conseguido um bom equilíbrio entre as duas abordagens e interessará tanto a quem procura um bom romance histórico como a quem gosta de ler uma boa história. Apesar de nem sempre ter achado o amor entre Helena e Páris completamente convincente, gostei muito da “voz” da personagem principal, e de conhecer (ou voltar a conhecer) tantas personagens que fazem parte do nosso imaginário colectivo. Recomendo! - Célia M.
8/10 — Muito Bom
As Nove Plantas do Desejo, Margot Berwin (Porto Editora)
Pouco depois do divórcio, a publicitária Lila Nova compra a sua primeira planta.
Trata-se de uma exuberante estrelícia e o vendedor é David Exley, um agrossexual rude, que promete fazê-la ver estrelas. Lila fica imediatamente obcecada — pelas plantas e pelo homem que as vende — mas, quando David a inicia no mito das nove plantas do desejo e depois de ela conhecer um homem chamado Armand que diz possuí-las todas, a sua obsessão alcança dimensões inesperadas.
Porque, segundo a lenda, se ela encontrar todas as plantas, verá cada um dos seus desejos mais profundos realizado.
Mas Lila confia em quem não deve e, em breve, ver-se-á envolvida numa aventura inesperada: no coração do Iucatão, sozinha, com uma mochila carregada de guias turísticos e um champô demasiado caro, acabará por desvendar os mistérios da selva — e da sua própria vida.
Por Trás do Silêncio, Heather Gudenkauf (Porto Editora)
Aos primeiros raios da manhã, na sufocante atmosfera do Iowa, duas famílias acordam e descobrem que as filhas desapareceram misteriosamente durante a noite.
Calli é uma menina meiga e muito sonhadora que sofre de mutismo selectivo, despoletado por um episódio trágico que a mergulhou no silêncio, ainda bebé. Petra é a sua melhor amiga, alma gémea e voz.
As famílias de ambas unem-se no desespero pela ausência das filhas, mas, à medida que o tempo passa, a união e o apoio mútuo dão lugar à suspeição. E a resposta revela-se trancada no silêncio dos mais interditos segredos de família.
O Ogre, Jacques Chessex (Sextante)
Destruir o pai. Parece impossível para Jean Calmet, professor de Latim em Lausanne, na Suíça. Depois de assistir à cremação do pai, os fantasmas e as humilhações do passado voltam para o tiranizar. Neste livro, que ganhou o Prémio Goncourt, Jacques Chessex desenrola o fio de uma vida devorada por um ogre estrondoso que roubou o prazer da vida aos filhos e lhes fez pagar a sua cobardia. Um pai nunca morre…
Nunca cases com uma mulher de pés grandes, Mineke Schipper (Sextante)
Em todas as culturas, as questões relativas ao sexo e ao género foram expressas em provérbios, uma das mais curtas formas literárias. Este livro apresenta um estudo surpreendente e divertido sobre as semelhanças (até mais do que diferenças!) entre milhares de provérbios sobre a mulher, a sua condi-ção e as suas vivências, provenientes de centenas de línguas e mais de 150 países.




