2014 Reading Challenge

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[Top Ten Tuesday] Livros que tive dificuldades em ler

Tuesday, September 30, 2014 Post por Célia

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Acho o tema de hoje muito interessante. A ideia é fazermos uma lista de 10 livros cuja leitura foi difícil, seja por causa da escrita, do tema ou de outra coisa qualquer. Aqui estão as minhas escolhas:

 

  1. Anna Karenina, de Lev Tolstoi: admito a embirração da minha parte, mas a leitura deste livro foi mesmo penosa. Lembro-me que o li numa leitura conjunta, e se não tivesse sido por isso muito provavelmente tinha desistido. É um livro interessante, bem escrito, mas nunca. mais. acaba.
  2. Meridiano de Sangue, Cormac McCarthy: também li este numa leitura conjunta e se calhar se não tivesse sido por isso teria igualmente desistido. A diferença é que acabei por gostar bastante. Longe de ser uma leitura compulsiva, este livro tem descrições muito violentas e gore, mas é um excelente livro cujo esforço de leitura é recompensado.
  3. Uma Questão Pessoal, Kenzaburō Ōe: este livro é muito negro, deprimente até. Não foi uma leitura fácil pelo tema que trata, e por isso não me deixou grandes recordações.
  4. Jonathan Strange e o Sr. Norrell, Susanna Clarke: um livro enorme, denso, com inúmeras notas de rodapé, esta não é certamente uma leitura fácil. Não posso dizer que não gostei, mas também não adorei. Gostei muito de algumas coisas, de outras nem por isso, mas, acima de tudo, recordo este livro como uma leitura exigente.
  5. Cem Anos de Solidão, Gabriel García Márquez: outro livro que me deixou dividida. Gostei bastante do início, mas às tantas o livro começou a aborrecer-me e a leitura arrastou-se um bocado. As inúmeras personagens (várias com os mesmos nomes) e a sucessão quase imparável de acontecimentos fazem com que o leitor tenha de se manter concentrado sob pena de perder o fio à meada.
  6. O Monte dos Vendavais, Emily Brontë: a principal dificuldade neste livro, pelo menos para mim, foi sentir empatia pelas personagens e pelos seus ataques de loucura. O livro é um hino à infelicidade e penso ser necessário estar no espírito certo para se retirar o máximo desta história.
  7. A Laranja Mecânica: não é fácil entrar neste livro, principalmente devido à presença do “nadescente”, uma linguagem inventada pelo autor para ser utilizada pelas suas personagens. De resto, um excelente livro que recomendo sem reservas.
  8. Ainda Alice, Lisa Genova: ler sobre a doença de Alzheimer, da forma como esta autora decidiu escrever sobre ela, é um autêntico murro no estômago. É uma leitura recente, mas muito recomendada.
  9. O Estrangeiro, Albert Camus: um livro interessante, bem escrito e thought-provoking, mas que exige o máximo de concentração para ser devidamente apreciado.
  10. Se Isto é um Homem, Primo Levi: um relato verídico e impressionante de alguém que esteve num campo de concentração. Choca pelo realismo e cativa pelas reflexões sobre o sentido da vida e a maldade humana. Apesar do tema difícil e da forma por vezes crua do relato, é imperdível.

 

Top Ten Tuesday é uma rubrica semanal do The Broke and the Bookish.


Categorias: Top Ten Tuesday

[Opinião] Washington Square, de Henry James

Monday, September 29, 2014 Post por Célia

6321314Autor: Henry James
Título Original:
Washington Square (1880)
Editora: Europa-América
Páginas: 143
ISBN: 9789725302712
Tradutor: Isabel Veríssimo

 

Sinopse: Ele era belo, apaixonante e sem um tostão. Para uma jovem herdeira, a promessa do amor dele valia qualquer preço. Com 22 anos, Catherine Sloper é considerada uma flor já bastante madura, que poderia ser arrancada do caule apenas com uma sacudidela vigorosa. Porém, embora não seja nem inteligente nem bela (o seu gosto no vestir raia o vulgar), Morris Townsend considera Catherine extremamente encantadora. Menos, temos de admitir, por causa da sua evidente bondade e verdade do que porque vai herdar uma fortuna substancial. Entretanto, o espectáculo curioso da filha a ser cortejada por um caçador de fortunas atraente e atlético é, para o Dr. Sloper, simultaneamente um divertimento e um desafio…

 

Opinião: No ano passado, li o meu primeiro livro de Henry James: Daisy Miller acabou por ser uma espécie de desilusão pois, apesar de ter gostado da escrita, não fiquei cativada pelas personagens ou pelo enredo. Washington Square é a segunda tentativa com este autor clássico e, se posso dizer que aqui fiquei mais bem impressionada, nem por isso posso dizer que o autor me convenceu completamente.

 

Na primeira metade do século XIX, encontramos o médico Austin Sloper, um nova-iorquino honesto e trabalhador, que conseguiu subir na vida à custa do seu trabalho. Tudo corria bem na vida do Dr. Sloper, até que a sua esposa falece devido a complicações pós-parto, deixando-o apenas com uma filha, Catherine. Sloper tinha muitas expectativas para o futuro da sua filha, mas esta acaba por ser tudo menos aquilo que desejava: é uma rapariga mediana a todos os níveis, que peca pela sua parca inteligência e pelo aspeto físico pouco marcante. 

 

Apesar disso, Catherine suscita o interesse de um jovem atraente, mas de passado e intenções duvidosas: Morris Townsend, que, com a ajuda da tia de Catherine, começa a cortejar a jovem e pretende casar com ela, ainda que Dr. Sloper nunca acredite nos sentimentos de Morris pela filha e se recuse a aceitar a relação. É em volta da relação de Catherine e Morris que a história gira, apesar de todo o livro lidar com expectativas falhadas e isso ser transversal às várias relações que o livro vai descrevendo.

 

Mais uma vez, gostei bastante da escrita de Henry James: clara, precisa e muitas vezes com um toque de humor, é difícil não ficarmos cativados pela sua prosa e capacidade de caracterização de personagens e situações. Não posso dizer que tenha adorado nenhuma das personagens, mas senti alguma simpatia pela ingenuidade e resiliência de Catherine. Também não achei que o enredo fosse particularmente cativante; é uma história que se vai lendo com interesse, mas pouco mais que isso.

 

Em suma, é um livro que se lê bem (apesar de esta edição ter um tamanho de letra que desafia qualquer leitor), com vários pontos de interesse, uma boa escrita, mas que julgo não ser suficientemente marcante. Leio por aí que não será a melhor obra do autor e por isso conto ainda dar-lhe mais algumas oportunidades (tenho para ler Os Europeus e, em e-book, What Maisie Knew).

 

Classificação: 3/5 – Gostei


Livros ao Sábado (143)

Saturday, September 27, 2014 Post por Célia

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Ilustração de Lilian Sandoval. Visto aqui.


Categorias: Livros ao Sábado

[Opinião] Blood of Dragons, de Robin Hobb

Friday, September 26, 2014 Post por Célia

17728784Autor: Robin Hobb
Ano de Publicação: 2013
Série: Rain Wild Chronicles #4 | Realms of the Elderlings #13
Páginas: 545

Sinopse: The final volume in Robin Hobb’s popular Rain Wilds fantasy series, Blood of Dragons completes the story of the dragons, their keepers, and their quest to find the lost city of Kelsingra—and the mythical silver wells that the dragons need to survive. Can Tintaglia and the Elderlings unlock the secrets of the ancient city? Or are they doomed to extinction?

As they forge ever-deeper into uncharted wilderness, starvation, flashfloods, and predators imperil them all. But as dragons and humans alike soon learn, the most savage threats come from within their own company…

 

Opinião: Blood of Dragons é o 4.º e último volume da série “Rainwild Chronicles”  e apresenta, finalmente, o desenlace de todas as situações que temos vindo a acompanhar nos volumes anteriores.

 

Penso não valer a pena entrar em grandes detalhes quanto ao enredo deste livro, por isso vou tentar fazer uma apreciação geral do livro e da série que encerra. O ritmo e o nível de interesse que suscita estão bastante ao nível dos livros anteriores, nem melhor nem pior. É basicamente um livro que ata algumas pontas soltas relativamente a várias questões relacionadas com os dragões e que também acaba por dar um final a várias situações de perigo em que algumas personagens se encontravam.

 

Esperava sinceramente um pouco mais deste volume final. Não há propriamente voltas e reviravoltas, revelações surpreendentes ou destinos inesperados. As coisas alinham-se de uma forma mais ou menos esperada e alguns acontecimentos acabam por pecar por ser pouco desenvolvidos (notoriamente a incursão dos dragões a Chalced). A maioria das personagens continua cativante, com exceção de Thymara que, na minha opinião, acaba por sofrer um pouco com o triângulo amoroso em que se vê envolvida.

 

A leitura de um livro da Robin Hobb, uma das minhas escritoras favoritas, vem sempre carregada de altas expectativas. Quando elas não são completamente atingidas, fica a sensação de alguma desilusão. Foi este o caso com este livro. Há coisas muito boas aqui, como a escrita e a caracterização das personagens, bem como a relação entre elas. Mas a nível de enredo, penso que existem algumas coisas que poderiam ter sido mais bem conseguidas.

 

De um modo geral, é uma boa série, que julgo que os fãs da autora irão apreciar. Contudo, não é certamente a melhor dela.

 

 Classificação: 3/5 – Gostei


Categorias: 3/5, Célia, Opiniões, Robin Hobb

[Opinião] Dust, de Hugh Howey

Wednesday, September 24, 2014 Post por Célia

17980416Autor: Hugh Howey
Ano de Publicação:
2013
Série: Silo #3
Páginas: 471

 

Sinopse: Jules knows what her predecessors created. She knows they are the reason life has to be lived in this way. And she won’t stand for it. But Jules no longer has supporters. And there is far more to fear than the toxic world beyond her walls. A poison is growing from within Silo 18. One that cannot be stopped. Unless Silo 1 step in.

 

(aviso: esta opinião contém pequenos spoilers em relação aos dois livros anteriores)

 

Opinião: No primeiro volume da série “O Silo”, conhecemos o Silo 18, num mundo pós-apocalíptico em que as pessoas vivem em silos debaixo da terra, sem poderem sair ao exterior devido ao ar tóxico; no segundo volume, Hugh Howey volta atrás no tempo algumas centenas de anos para explicar a origem dos silos, fazendo a linha temporal do final do segundo volume coincidir com o final do primeiro. O terceiro volume inicia-se imediatamente após o final dos dois volumes anteriores e pretende relatar o que sucedeu após o regresso de Juliette ao Silo 18, enquanto Donald, no Silo 1, fazia os possíveis por reverter as consequências trágicas do projeto que deu origem à construção dos silos e no qual esteve envolvido.

 

Como referi na altura em que li os primeiros dois volumes, foram leituras que me agradaram bastante e, por isso, aguardava com expectativa a leitura deste terceiro e último volume para saber como tudo isto ia terminar. De um modo geral, foi um livro que me deixou com sentimentos mistos: por um lado, a escrita e os diálogos continuam a ser de muito boa qualidade e a descrição de ambientes claustrofóbicos e outros que tais bastante eficaz; por outro, acho que este 3.º volume tem alguns problemas de ritmo, uma vez que combina momentos verdadeiramente entusiasmantes com outros que se arrastam e nada parecem acrescentar ao desenvolvimento do enredo.

 

A conclusão, essa, acaba por ser um pouco como o resto do livro: satisfatória assim-assim. O final não é um final feliz, mas também não é triste; é suficientemente aberto para que o leitor possa deixar à sua imaginação o que aconteceu depois (como o autor afirma na nota final) mas também deixa várias pontas soltas – demasiadas até – que deixam espaço aberto para possíveis sequelas, spin-offs e afins.

 

Apesar disso, o balanço é positivo. Achei Dust o mais fraco dos 3 volumes, mas ainda assim um livro cativante e que não poderá deixar de ser lido por quem leu e gostou dos dois anteriores. De um modo geral, uma trilogia bem escrita, com uma história e personagens cativantes e que se distingue pela positiva dentro da ficção pós-apocalíptica que tenho lido.

 

Classificação: 3/5 – Gostei


Categorias: 3/5, Célia, Hugh Howey, Opiniões