Autor: Tracy Chevalier
Título Original: Girl With a Pearl Earring (1999)
Editora: Biblioteca Sábado
Páginas: 199
Tradutor: Ana Falcão Bastos
Sinopse
Na Holanda do século XVII Griet é filha de um pintor de azulejos protestante de Delft que perdeu a vista num acidente. Para ajudar a sua necessitada família, Griet tem de trabalhar como criada numa casa mais acomodada. Quando o pintor Jan Vermeer e a sua esposa a contratam, deixa a sua casa e começa bruscamente a vida adulta. A casa Vermeer, que alberga uma família católica com cinco filhos, a avó e uma criada mais velha, rapidamente se revela como um ambiente hostil. Catharina, a mulher de Vermeer, ficará com ciúmes de Griet, uma atractiva jovem com talento artístico, e a fiel empregada da avó começará a vigiar todos os seus movimentos.
Opinião
Rapariga com Brinco de Pérola pretende apresentar a história por detrás do quadro com o mesmo nome, da autoria do pintor holandês Jan Vermeer, um dos mais importantes dos século XVII. Pouco se sabe sobre a figura presente no quadro, e Tracy Chevalier pega nesta lacuna de informação e cria uma história bastante interessante.
Griet é uma jovem de 16 anos que se vê obrigada a ir trabalhar como empregada para casa do pintor Jan Vermeer, de modo a poder ajudar a sua família, uma vez que o seu pai teve um acidente e deixou de poder pintar azulejos e sustentar a família. O trabalho é duro e Griet apenas tem permissão para visitar a sua família aos domingos, mas depressa essa limitação deixa de ser motivo de tristeza, porque ao ter como função limpar a divisão onde o pintor exerce a sua arte, Griet começa a ficar fascinada com o seu trabalho, e mais tarde pelo seu dono.
Com o passar do tempo, Griet torna-se ajudante de Vermeer, porque a sua organização e método chamam a atenção do pintor. Nesta fase do livro, podemos acompanhar a fascinante arte que se utilizava na altura para produzir cores, para além de algumas explicações interessantíssimas acerca da sua utilização na pintura dos quadros.
Acho que a autora consegue criar de forma exímia o ambiente certo para a história que quis contar. O pintor é uma personagem sempre distante, misteriosa, um génio que pouco deixa entrever o que pensa ou sente. Aliás, a história é contada na primeira pessoa por Griet e ela trata-o sempre por “ele”, o que transmite precisamente essa sensação de distanciamento. A personagem principal também é muito bem conseguida, pois o leitor consegue perfeitamente identificar-se com os seus sentimentos, medos e dilemas.
O livro foi um óptimo pretexto para conhecer melhor a obra deste pintor famoso, e tive mesmo a oportunidade de ir acompanhando as descrições que Griet fazia dos quadros de Vermeer ao seu pai cego com a visualizaão da própria imagem. E isto também me permitiu perceber que a autora faz estas descrições com grande mestria. Foi um livro que li num ápice e do qual gostei bastante, por isso recomendo. — Célia M.
8/10 — Muito Bom
Autor: Guillermo Martínez
Título Original: Acerca de Roderer (1993)
Editora: Sextante
Páginas: 112
ISBN: 9789898093165
Tradutor: José Riço Direitinho
Sinopse
Acerca de Roderer narra o confronto vital e intelectual entre dois jovens de inteligência privilegiada. O primeiro usa esta inteligência de forma prática para se adaptar ao mundo, o segundo na busca de um conhecimento absoluto que lhe permita compreender o mundo, deslizando perigosamente até aos limites da loucura e do suicídio. Esta incursão narrativa brilhante nos meandros da rivalidade e da inteligência oferece-nos um romance inquietante, de suspense e ambiguidade.
Opinião
Guillermo Martínez é um escritor argentino, licenciado em Matemática, que se tem destacada no campos dos contos e das novelas, para além dos artigos e ensaios que se podem encontrar no seu site. Em Portugal, já foram publicados Crimes Imperceptíveis e Borges e a Matemática, ambos pela editora Ambar.
Acerca de Roderer, uma novela que se lê num par de horas, é contada na primeira pessoa por um jovem que trava conhecimento com Gustavo Roderer, no Clube Olimpo, da terreola Puente Viejo, perde com ele um jogo de xadrez, e fica fascinado por aquela personalidade tão peculiar. Roderer é vago, misterioso, ausente e inteligente de uma forma poucas vezes vista.
A história decorre no espaço de poucos anos e, enquanto o narrador da história (cujo nome nunca sabemos) segue o rumo normal da vida, frequentando o colégio, depois indo para a Universidade e para o serviço militar, Roderer permanece em sua casa, imerso em livros, em busca de uma verdade ainda desconhecida, de uma iluminação.
É um livro escrito de uma forma ora simples, ora mais complexa, o que reflecte as diferenças entre o narrador e Roderer, ambos inteligentes mas de uma forma bastante diferente. Roderer possuía aquele acréscimo que permite destacar os génios entre os inteligentes, mas, tal como muitos outros, é um génio incompreendido porque a sua forma de encarar o mundo e o seu objectivo fazem-no sofrer face às vicissitudes da vida: possui a inteligência rara de ir muito mais além do que o comum dos mortais, mas essa mesma característica impede-o de conseguir sobreviver tão facilmente num mundo que não o compreende. Se pensarmos um pouco nos maiores génios da nossa humanidade, os paralelismos são facilmente feitos com esta história.
Gostei muito deste livro, não só pelo relato desta vida tão pouco comum, que nos permite vislumbrar os dilemas dos génios incompreendidos, mas pela escrita magnífica de Guillermo Martínez. Só peca mesmo por terminar tão depressa, mas isso é uma questão de gosto pessoal, uma vez que o autor refere que a novela é o seu estilo preferido, deixando-o dar às suas personagens um desenvolvimento desejável, ficando, ainda assim, dentro de uma narrativa “curta”. Não posso deixar de recomendar este pequeno livro, disponível nas livrarias a partir de hoje. — Célia M.
8/10 — Muito Bom
É com muito prazer que hoje publicamos mais uma entrevista aqui no blog, desta vez à autora portuguesa Tânia Ganho, da qual li recentemente A Lucidez do Amor. É sobre esse livro que incide boa parte desta entrevista, pela qual agradeço desde já à autora e também à Porto Editora, por ter facilitado o contacto.
Estante de Livros — “A Lucidez do Amor” aborda a guerra, principalmente na perspectiva feminina, das esposas que ficam em casa à espera que os maridos regressem. Considera que estas “heroínas” não têm sido devidamente louvadas, na literatura e nas artes em geral?
Tânia Ganho — Penso que não têm sido louvadas, porque simplesmente não são consideradas heroínas, são mulheres que vivem nos bastidores, na sombra e, como Penélope, ocupam um lugar secundário nas grandes narrativas sobre os feitos dos homens aventureiros.
E.L — Achei interessante a inclusão da Guerra do Ultramar na história, pelos contrastes que apresenta com as guerras actuais, acabando por ser muito semelhante no essencial. O que a motivou a incluí-la no livro?
T.G. — Precisamente para mostrar que, apesar de o conceito da guerra e a maneira de se fazer a guerra ter mudado muito desde o 11 de Setembro, na base continua a ser uma luta em que as pessoas matam e morrem, em que as famílias choram a perda dos seus maridos, mulheres, filhos e irmãos, e a dor é a mesma, de quem parte e de quem vê partir, seja em 2006 ou nos anos 60, sejam os intervenientes militares de carreira ou soldados recrutados «à força».
E.L. — O seu livro aborda (mais lateralmente) o tema da multiculturalidade, pois a personagem principal é portuguesa, descendente de uma guineense, casada com um francês, e vive em França. É um reflexo da sua experiência pessoal?
T.G. - Como vivo fora de Portugal há cerca de dez anos, vejo-me diariamente confrontada com o olhar dos outros, que me consideram «estrangeira», e com o meu próprio olhar sobre esses outros, que são forçosamente «diferentes» de mim e da minha cultura. O desejo de transpor essa experiência para os meus livros é inevitável, até porque as diferenças culturais me parecem extremamente ricas, do ponto de vista romanesco, e enriquecedoras, do ponto de vista pessoal.
E.L. – Outro dos temas do livro, muito pertinente na minha opinião, é se “vale tudo” por um suposto bem maior, no contexto da guerra. Acha que existe uma única resposta?
T.G. — Não, não existe uma única resposta e não existem soluções fáceis e imediatas para um dilema moral tão grande como esse, sobretudo para os militares, a quem é incutida a noção de dever e patriotismo, e a quem se pede que defendam a pátria num país longínquo como o Afeganistão que, para todos os efeitos, não está em guerra com a França nem com Portugal, nem com nenhum dos outros países que tem militares no terreno. Justificar as suas missões letais torna-se, por conseguinte, difícil. Seja como for, acho que os fins não devem justificar os meios.
E.L. — O último parágrafo do seu livro, “Dizem que o amor é cego, mas é a paixão que não vê defeitos e incoerências. O amor é lúcido, vê as falhas e as contradições e, apesar disso, subsiste.”, encerra, na minha opinião, uma lição tão simples como difícil de alcançar. Foi esta, em última análise, a mensagem que quis passar aos seus leitores?
T.G. — Sem dúvida. Quis mostrar ao longo de todo o livro que o verdadeiro amor é um sentimento capaz de ultrapassar todas as diferenças (sociais e culturais) e de aceitar o outro como ele é, com todos os seus defeitos e contradições. Mas não me refiro só ao amor que une um casal, mas também ao amor em sentido mais lato, entre as pessoas. Se tentássemos compreender o Outro, o desconhecido, o estrangeiro, e conseguíssemos aceitar as suas diferenças, provavelmente pensaríamos duas vezes antes de decretar uma guerra.
E.L. - Refere na nota final do seu livro que este demorou mais a ser escrito devido ao facto de tratar de um tema que lhe era próximo e doloroso (a guerra do Afeganistão). O seu completar, que significou o ultrapassar da “auto-censura” que refere, acabou também por ser uma espécie de libertação?
T.G. — Não se pode escrever com censura, a escrita tem de ser absolutamente isenta de tabus e interditos, por isso acabar este livro foi uma verdadeira libertação. Além disso, já tinha outro romance na cabeça e estava desejosa de me meter na pele de novas personagens, mas só consegui fazê-lo quando finalmente pus o ponto final em «A Lucidez do Amor» e me libertei, por assim dizer, das vidas da Paula e do Michael, com toda a angústia que lhes estava subjacente. Foi uma etapa da minha vida pessoal que se fechou para dar lugar a outra.
E.L. - Para além da escrita, tenho acompanhado com interesse o seu trabalho como tradutora. O que lhe dá mais prazer fazer (se é que consegue comparar as duas actividades)?
T.G. — A verdade é que decidi ser tradutora porque adorava escrever e tinha jeito para línguas. Como achei que não me agradaria escrever diariamente «por encomenda», eliminei logo a hipótese de seguir jornalismo, e como aos 21 anos era razoavelmente lúcida, percebi que não podia ter a veleidade de me autoproclamar escritora e viver disso. A tradução foi a via óbvia, por exclusão de partes. Adoro traduzir, mas é a minha profissão e não a minha identidade, foi uma escolha consciente. A escrita é quem sou, é qualquer coisa de muito mais profundo, inconsciente. É a minha maneira de viver, sempre com uma voz lá no fundinho a transformar a realidade em ficção.
E.L. — Qual o livro que, até hoje, mais gostou de traduzir e porquê?
T.G. - A Acidental, de Ali Smith, porque foi o maior desafio que tive até hoje. Ter de encontrar todas as referências culturais que estão «escondidas» no texto (títulos de filmes, fait-divers, letras de músicas) e adaptar para português um capítulo inteiro em versos decassilábicos foi uma missão tão complicada quanto divertida. Andei durante semanas a incomodar os meus amigos americanos e ingleses para me ajudarem a encontrar essas referências e passei horas no Google à procura de títulos de filmes do cinema mudo. Mas tenho de acrescentar que o segundo maior desafio, e igualmente gratificante, foi traduzir A Vida em Surdina do David Lodge.
E.L. – Com que género literário mais se identifica? Que livro recomendaria dentro desse género?
T.G. - Nunca gostei de rótulos, por isso evito pensar nos livros em termos de género. Digamos que tenho propensão para a escrita de mulheres e que adoro autoras como a Doris Lessing, a Margaret Atwood, a Joyce Carol Oates, a Jean Rhys, a Ana Teresa Pereira, a Teolinda Gersão, portanto recomendaria qualquer livro delas.
E.L. - O que pensa da situação actual da literatura portuguesa e da importância dada aos seus novos valores pelas editoras e leitores?
T.G. — A literatura portuguesa – prefiro falar em literatura lusófona – está cada vez mais rica, com autores novos que conseguiram cativar uma enorme parte da população que não se sentia capaz de ler textos ditos «difíceis», como os de Lobo Antunes ou Saramago. A variedade nem sempre é sinónimo de qualidade, mas penso que a literatura portuguesa está em franca expansão e no bom caminho. As editoras andam a apostar mais nos escritores portugueses, mas ainda há muito trabalho a fazer nesse campo; temos autores, sobretudo mulheres, que mereciam muito mais destaque, como a Patrícia Reis e a Dulce Maria Cardoso. Espero que os leitores ensinem as editoras a valorizar mais os nomes que publicam.
No próximo dia 18, estarão disponíveis dois novos títulos da Porto Editora.
O Labirinto da Água, de Eric Frattini
E se Judas traiu Jesus a seu pedido?
E se Pedro não estivesse destinado a ser chefe da Igreja?
E se a Igreja que Jesus Cristo queria criar não tivesse um papa?
Quando a jovem arqueóloga Afdera Brooks acode ao leito de morte da sua avó, uma excêntrica milionária, coleccionadora de obras de arte, recebe como legado as pistas para chegar a uma caixa de segurança de um banco americano onde está guardado um antiquíssimo manuscrito. Afdera empreende uma viagem por meio mundo para desentranhar o conteúdo desse misterioso documento que culminará em Veneza, o labirinto de água.
A partir do Vaticano, o maléfico cardeal Lienart fará o impossível para que a verdade que se esconde no maltratado pergaminho nunca conheça a luz do dia. Uma trama que se tornou num best-seller instantâneo em Espanha.
A Virgem das Amêndoas, de Marina Fiorato
O livro remete-nos para a Itália do século XVI, onde o jovem pintor Bernardino Luini, discípulo favorito do mestre Leonardo da Vinci, é encarregado de pintar um fresco religioso na igreja de Saronno, uma pequena localidade nas colinas da Lombardia. Ao entrar na igreja, a sua atenção é captada pela beleza e pela melancolia da jovem Simonetta, viúva de um poderoso senhor feudal morto em combate.
Sozinha e a ver a sua fortuna desaparecer até não restar nada mais a não ser as amendoeiras da sua villa, Simonetta acede a posar como modelo para Luini, que a imortalizará para sempre nos frescos da igreja como a Virgem di Saronno. À medida que o trabalho progride, artista e modelo apaixonam-se, selando o sentimento com um beijo que escandalizará a Igreja.
À genialidade com que Bernardino imortalizará a sua musa, Simonetta retribui com a criação da sua própria obra de arte: um licor especial fabricado com o fruto das suas amendoeiras. O licor ficará conhecido, até aos dias de hoje, como o famoso Amaretto di Saronno.
Contudo, antes de ambos completarem as suas obras, a relação é fortemente abalada por um acontecimento que porá em perigo aquele amor. E as suas vidas.
Como sabem, ultimamente (e ainda bem) cada vez proliferam mais blogs literários. Sigo a grande maioria deles, mas decidi fazer este post para vos dar a conhecer aqueles que, não sendo melhores nem piores do que os restantes, mais gosto de visitar. Aqui fica o meu Top 10, sendo a ordenação simplesmente alfabética.
- ALEXANDRIA, do Gomes. O seu autor é um participante no nosso fórum e é um blog com reflexões bastante interessantes sobre os livros e o seu mundo (mas não só), e revejo-me plenamente em muitos dos vícios e manias dos leitores que ele descreve.
— Às 23h, da Be. Mais uma participante no nosso fórum, cujas opiniões me dão muito prazer ler.
— As Leituras do Corvo, da Silent Raven. Blog da escritora Carla Ribeiro, com opiniões que são geralmente coincidentes com as minhas, e informação constantemente actualizada sobre os últimos lançamentos.
— Este meu cantinho, da White Lady. Gosto muito de ler as opiniões dela, porque para além de claras e bem escritas, coincidem com as minhas em 99% das ocasiões. Uma excelente fonte de boas sugestões!
— Leituras e Devaneios, da Mónica. Se há blog literário onde sei que vou ler precisamente o que a autora pensou do livro, é o da Mónica. Sem paninhos quentes! (pena que não seja muito actualizado nos últimos tempos — Mónica, volta!
)
— Lydo e Opinado, do Tiago, Patrícia e Sara. Blog com opiniões, entrevistas, e várias outras coisas interessantes. Gosto particularmente da sensação que transmite de não ser apenas mais um blog, e de haver a preocupação de imprimir um cunho particular ao que fazem.
— O Cantinho do Bookoholic, do Pedro. Porque é raro termos jovens a ler e a conseguir transmitir tão lucidamente o que acharam do livro.
— planetamarcia, da Márcia. Outra “colega” que já tive oportunidade de conhecer e cujo trabalho gosto imenso, principalmente porque consigo sempre perceber na perfeição as emoções que os livros lhe transmitem.
— Porta-Livros, do Rui Azeredo. É um dos poucos blogs de profissionais do sector que gosto realmente de visitar, porque não demonstra o habitual elitismo, dá atenção a todos os tipos de eventos e lançamentos e apresenta opiniões claras, concisas e interessantes.
— Sombra dos Livros, da Alice e da Bailarina. Outro blog sempre com opiniões muito bem fundamentadas e esclarecedoras, que gosto sempre de ler.
Ponto comum entre todos eles: escrevem opiniões claras, bem fundamentadas e que me permitem perceber se irei ou não gostar de um livro, independentemente da diferença de gostos.
Ficam também algumas sugestões de blogs literários internacionais de que gosto particularmente: The Book Smugglers, Of the Blog of the Fallen, Pat’s Fantasy Hotlist ou o Angieville.
Não posso terminar este post sem referir algo que veio à baila ontem, numa troca de ideias via Twitter com a White Lady: faltam mais textos de opinião nos blogs literários portugueses. Não me refiro às opiniões literárias, mas a textos que acrescentem conteúdo a este vasto mundo dos livros, que reflictam quem os escreve, que dêem gosto ler. Há tanta coisa que se pode fazer! A crítica que faço também se aplica a este blog e, por isso mesmo, vai daqui a minha promessa para tentar melhorá-lo nesse sentido
Célia M.
Autor: Paul Hoffman
Título Original: The Left Hand of God (2010)
Editora: Porto Editora
Páginas: 400
ISBN: 9789720040893
Tradutor: Mário Dias Correia
Sinopse
A sua chegada foi profetizada. Dizem que ele destruirá o mundo. Talvez o faça…
“Escutem. O Santuário dos Redentores, em Shotover Scarp, é uma mentira infame, pois lá ninguém encontra santuário e muito menos redenção.”
O Santuário dos Redentores é um lugar vasto e isolado — um lugar sem alegria e esperança. A maior parte dos seus ocupantes foi levada para lá ainda em criança e submetida durante anos ao brutal regime dos Redentores, cuja crueldade e violência têm apenas um objectivo — servir a Única e Verdadeira Fé. Num dos lúgubres e labirínticos corredores do Santuário, um jovem acólito ousa violar as regras e espreitar por uma janela. Terá talvez uns catorze ou quinze anos, não sabe ao certo, ninguém sabe, e há muito que esqueceu o seu nome verdadeiro — agora chamam-lhe Cale.
É um rapaz estranho e reservado, engenhoso e fascinante. Está tão habituado à crueldade que parece imune a ela, até ao dia em que abre a porta errada na altura errada e testemunha um acto tão terrível que a única solução possível é a fuga.
Mas os Redentores querem Cale a qualquer preço, não por causa do segredo que ele sabe mas por outro de que ele nem sequer desconfia.
Opinião
O Braço Esquerdo de Deus, do americano Paul Hoffman, é um dos livros que mais hype causou nos últimos tempos entre os fãs da ficção especulativa. O protagonista desta história é Cale, um jovem que, juntamente com outros rapazes estão num Santuário gerido pelos Redentores, um local repleto de medo, violência e terror — supostamente justificados pelo o objectivo de respeitar a vontade de Deus. Cale e os seus amigos Henri Vago e Kleist descobrem que no Santuário existe mais do que parece à primeira vista, o que acaba por levá-los a empreender uma fuga do recinto e a entrarem num mundo completamente diferente, a cidade de Memphis, governada pelos Materazzi.
Toda a fase inicial do livro, quando Cale ainda se encontra no Santuário, é bastante promissora. O ambiente sombrio e claustrofóbico do local é bem transmitido, e surgem alguns mistérios que deixam o leitor curioso. Pena é que a promessa não se concretiza no resto do livro. Achei que parte de uma premissa muito interessante, mas acaba por cair numa série de lugares-comuns que, não tornando a história propriamente desprovida de interesse, poderão não cativar leitores que já leram vários outros livros cujo enredo não foge muito a este. A personagem principal, Cale, sofre um pouco deste síndrome: de início, pouco se revela ao leitor e conserva uma aura misteriosa que o torna interessante, mas com o decorrer da história, acaba por se transformar no herói relutante que já vimos em tantas e tantas histórias. E ele, tal como a grande maioria das personagens, é abordado de forma algo superficial, o que fez com que o laço que criei com elas não fosse propriamente muito forte.
Fiquei também com a sensação que o autor tentou colocar na sua história elementos que agradassem a vários tipos de leitores porque ora assume um tom marcadamente juvenil, até humorístico, ora estamos perante acontecimentos bastante sérios e negros; assume-se como uma obra de fantasia, mas não encontramos magia ou seres sobrenaturais na história; entrevemos um toque de história alternativa, que nunca se confirma propriamente. O mundo criado pelo autor tem um nível de desenvolvimento razoavelmente detalhado, mas pareceu-me que poderia ter sido melhor aprofundado.
Apesar de tudo isto, não posso dizer que não gostei do livro. Apesar de todos os aspectos menos positivos que apontei, as páginas viram-se muito depressa e torna-se estranhamente viciante. Isto, juntamente com a curiosidade em saber que direcção a história irá tomar — a verdade é que as pistas são escassas — , faz-me ficar com vontade de ler a continuação. - Célia M.
6/10 — Interessante
A Porto Editora publica no próximo dia 18 de Março o primeiro romance do historiador João Pedro Marques. Os Dias da Febre é uma viagem pelos sons, os cheiros, as cores, as gentes, as casas, os costumes – numa palavra, pela vida – da Lisboa de meados do século XIX. Mesmo antes da sua publicação, a obra de estreia de João Pedro Marques já conquistou adeptos: Maria Filomena Mónica considera-o “um livro estimulante”; a também historiadora Maria Fátima Bonifácio destaca o “enredo de uma notável originalidade e muitíssimo bem construído”.
Apoiada por uma escrita sedutora, que se concilia facilmente com o rigor dos factos, a narrativa de João Pedro Marques distingue-se pela subtileza com que transporta o leitor para o quotidiano burguês do século XIX, tornando Os Dias da Febre numa leitura, mais do que agradável, surpreendente.
O livro principia com Elvira Sabrosa descendo a Calçada de Santana e espreitando por entre as cortinas da sua carruagem. Num dado momento, vislumbra Robert Huntley, um inglês que não via desde os tempos da infância, há mais de 20 anos.
Os Dias da Febre narra as circunstâncias que conduziram ao reencontro de Robert e Elvira, e o que dele decorreu. A acção situa-se em 1857, quando Lisboa estava a ser atingida por uma epidemia de febre-amarela que mataria quase 5 mil pessoas. É nesse contexto que a intriga se desenvolve e que o leitor é convidado não só a conviver com as figuras da época, mas também a percorrer a cidade em toda a sua diversidade, dos camarotes do S. Carlos às ruas apertadas de Alfama, das enfermarias do Hospital de S. José às bancadas das Cortes, dos salões das senhoras das classes altas ao bulício do café Nicola.
Romance histórico escrito por um historiador de reconhecido mérito e extensamente apoiado na documentação existente, Os Dias da Febre assume-se, mais do que um romance sobre uma epidemia, a morte e o amor, como um documento estimulante e fiel à época que representa.
Fonte: Nota de imprensa da editora
Dois prazeres num só! Um clube de leitura fez esta encomenda deliciosa:
Os livros são feitos de fondant de marshmallow e os bolos são queques com pepitas de chocolate e cobertura de baunilha.
Também a embalagem é a condizer, com a forma de um grande livro!
Fonte: bakebakebake, via See Michelle Read
Já a partir de hoje, estão disponíveis quatro títulos de Ian Fleming, com as capas desenhadas por Michael Gillette.
Quantum of Solace
A publicação dos contos de James Bond num único volume é a celebração definitiva do atraente e mortífero agente secreto 007. Quer esteja a fazer uma descoberta inesperada nas Bahamas, a caçar um assassino cubano em terreno selvagem, a derrubar um barão da droga internacional em Roma, na pista de um segredo mortífero nas Caraíbas ou a derrotar um assassino estranhamente sedutor em Berlim, missões perigosas e mulheres bonitas fazem parte do dia-a-dia de James Bond. E este agente é sempre um profissional competente.
Casino Royale
O agente 007, sempre sedutor e sofisticado, atraente e perigoso, tem como missão neutralizar uma rede terrorista russa. Num arriscado jogo de bacará, no mítico Casino Royale, Bond terá de vencer o temível Le Chiffre. No entanto, a atracção de James Bond por uma belíssima agente parece conduzir tudo ao desastre… Até que surge um inesperado aliado.
Dr. No
Após o desaparecimento de um agente dos Serviços Secretos Britânicos e da sua secretária na base de Kingston, M acredita que este pode ser um caso fácil para 007, ainda em recuperação do encontro quase fatal com um agente russo. Só que James Bond e Honey Rider, a sua bela e vulnerável amiga, após terem sido capturados ao invadirem a isolada ilha caribenha de Crab Key, encontram-se em poder do Dr. No, um sinistro eremita com pinças mecânicas no lugar de mãos, absolutamente fascinado pela dor. Decidido a proteger dos Serviços Secretos Britânicos as suas operações clandestinas, o Dr. No tem agora a oportunidade de se livrar de um inimigo e de aprofundar as suas diabólicas pesquisas. Bond e Rider acabam por ter de lutar pela vida num mortífero jogo da autoria do Dr. No…
Vive e Deixa Morrer
Mr. Big – senhor do mundo do crime nova-iorquino, líder do culto vodu Viúva Negra e membro da SMERSH, a poderosa organização soviética – é um dos oponentes mais perigosos que Bond alguma vez enfrentou. Esta nova missão, quase suicida, vai levar 007 dos clubes duvidosos do Harlem às ilhas da Florida e ao luxuriante Caribe. Bond volta a estar bem acompanhado por uma bela e misteriosa mulher, Solitaire, prisioneira de Mr. Big, que não a deixará escapar facilmente. O duelo final acontece na Jamaica’s Shark Bay, onde 007 terá de enfrentar os mortíferos dentes dos tubarões… se quiser capturar um peixe maior.
A partir de 12 de Março, estará disponível A Próxima Vez, de Marc Levy e a partir de 26 de Março Desculpa, mas vou chamar-te amor, de Federico Moccia.
Jonathan é um especialista em arte com uma paixão inexplicável pela obra do pintor russo Vladimir Radskin. Quando, nas vésperas do seu casamento, lhe chega a notícia de que uma galeria em Londres tem em sua posse cinco quadros do pintor – entre eles, possivelmente, a sua mítica última obra, A Jovem de Vestido Vermelho, misteriosamente desaparecida em 1868 –, Jonathan não hesita em partir. Ao chegar a Londres, encontra Clara, a dona da galeria, e é acometido por uma forte sensação de déjà vu: certamente já viu aquele rosto, já ouviu aquela voz. Mas onde, e quando? Será que entre eles há algo mais em comum do que uma paixão por pintura? A sua busca leva-os da galeria em Picadilly Circus a uma loja de tintas em Florença, de um laboratório no Louvre a uma misteriosa mansão em Inglaterra. Quanto mais Jonathan e Clara descobrem acerca da última obra de Radskin, mais descobrem acerca de si próprios: três vidas muito diferentes, três destinos entrelaçados, presos numa corrida contra o tempo…
Niki é uma rapariga linda, extrovertida, inteligente, simpática e alegre. Tem dezassete anos, e tanto ela como as suas amigas estão no último ano do secundário. O seu dia-a-dia é pautado por desfiles, festas e raves, entre outros divertimentos. Alex é um «rapaz» com quase trinta e sete anos e acabou há pouco tempo uma relação de longa data. Tem três grandes amigos, Enrico, Flávio e Pietro, que são casados. Alex ocupa um cargo importante na área da publicidade, mas um jovem oportunista contratado recentemente pela sua empresa põe em risco o seu emprego. Certa manhã, Niki e Alex têm um encontro, ou melhor, um desencontro – um desencontro que vai mudar tudo. Esta linda história de amor reflecte a vontade de reencontrar a liberdade e o desejo de nutrir sentimentos verdadeiros, de amar sem regras nem porquês. Retrata o quotidiano, mas também o sonho, a fuga mais bela, mais louca, mais inesperada: uma fuga de amor. E, depois, aquele farol… Enfim, é um mergulho onde o mar é mais azul!
Chega às livrarias no próximo dia 11 de Março Acerca de Roderer, do escritor argentino Guillermo Martínez. O livro narra o confronto vital e intelectual entre dois jovens de inteligência privilegiada. O primeiro usa esta inteligência de forma prática para se adaptar ao mundo, o segundo na busca de um conhecimento absoluto que lhe permita compreender o mundo, deslizando perigosamente até aos limites da loucura e do suicídio. Esta incursão narrativa brilhante nos meandros da rivalidade e da inteligência oferece-nos um romance inquietante, de suspense e ambiguidade, que, segundo o próprio autor, “tem certas características de rigor de conto, mas, ao mesmo tempo, uma definição das personagens suficientemente forte para que tenha vida própria como novela.”
O Autor
Guillermo Martínez nasceu em Bahía Blanca, Argentina, em 1962. É doutorado em Matemática, formado em Buenos Aires e Oxford, e escritor. É autor de duas obras já publicadas em Portugal: Crimes imperceptíveis (Prémio Planeta Argentina) e Borges e a matemática. Revelou-se como uma das grandes vozes narrativas argentinas contemporâneas.









